Aos 19 anos, o atacante Rayan já gravou seu nome na história do futebol brasileiro. Sua participação decisiva no primeiro gol da vitória por 3 a 0 da Seleção Brasileira sobre a Escócia, pela Copa do Mundo, não apenas solidificou sua estreia como titular, mas também o posicionou como o jogador mais jovem a dar uma assistência pelo Brasil em um Mundial em 40 anos, desde Müller em 1986. Além disso, Rayan se tornou o mais jovem titular da seleção em uma Copa desde Marco Antônio, em 1970. Em entrevista recente, o ex-Vasco da Gama revelou os bastidores da evolução de seu jogo, destacando a influência tática do técnico Carlo Ancelotti e a importância de seus mentores.
O Ataque Que Defende: A Visão Tática de Ancelotti
O lance que resultou no gol de Vinícius Júnior contra a Escócia foi um testemunho da crescente disciplina tática de Rayan. Demonstrando sagacidade, ele aproveitou a desatenção do zagueiro Scott McKenna, desarmou-o na área e serviu o companheiro, em uma jogada que, segundo ele, é uma exigência constante de Carlo Ancelotti. O treinador insiste que a marcação sem a bola deve começar na linha de frente, um conceito que Rayan tem absorvido e aplicado em campo. “Tenho evoluído na parte defensiva desde o ano passado. Ele [Ancelotti] pede para a gente primeiro marcar e depois jogar. Essa parte é muito importante para a gente que está lá na frente”, declarou o camisa 26, projetando a aplicação dessa filosofia no próximo confronto contra o Japão, pelos 16 avos de final, agendado para a próxima segunda-feira (29), em Houston, Estados Unidos. Questionado sobre os perigos da equipe nipônica, o atacante, com bom humor, confessou: “Vou te falar que não sei o jogador mais perigoso, não [risos]. Só olhando no vídeo mesmo. Vamos trabalhar para dar nosso melhor e sairmos com a vitória”.
As Mãos Que Moldaram o Talento: Diniz e Iraola
A evolução defensiva e o amadurecimento técnico de Rayan são frutos de um trabalho contínuo, impulsionado por importantes figuras em sua trajetória. Fernando Diniz, com quem trabalhou no Vasco, é um desses pilares. Sob o comando do atual técnico do Corinthians, Rayan floresceu no Cruzmaltino de 2025, tornando-se peça fundamental na campanha que levou o time à final da Copa do Brasil. Naquela temporada, marcou 20 gols, sendo o primeiro atleta revelado pelo Vasco a atingir essa marca desde Edmundo, em 2008. “O Diniz sempre vai ser um pai. Na minha parte defensiva, como todo mundo viu no jogo passado, ele me ajudou bastante nisso. Se deixar, ele me liga quase todo dia”, revelou Rayan. Outro nome crucial foi o espanhol Andoni Iraola, seu treinador no Bournemouth, para onde se transferiu em janeiro. Iraola foi fundamental no processo de adaptação e no aprimoramento de Rayan, com um apoio explícito ao seu objetivo de chegar à seleção. “Desde que cheguei lá, ele [Iraola] conversou comigo toda semana. Falou que me ajudaria a chegar à seleção brasileira e deu certo”, agradeceu Rayan, referindo-se a Iraola, que assumiu o comando do Liverpool após o término da última temporada europeia.
Da Barreira à Seleção: Orgulho e a Busca Pelo Hexa
O reconhecimento por sua ascensão à seleção brasileira e à titularidade precoce não se limita aos seus treinadores. Rayan constantemente enaltece suas origens, carregando o orgulho de sua história. Criado na Barreira do Vasco, comunidade adjacente a São Januário, na zona norte do Rio de Janeiro, ele é filho de Valkmar, ex-zagueiro do próprio Cruzmaltino. Sua jornada o levou de entregar “santinhos” eleitorais antes do Mundial de 2022 a ser uma das promessas da atual Copa. “A gente sabe do sofrimento que passou lá atrás. É um sentimento de muito orgulho. Quando criança, a gente trabalha para viver esse momento. A gente sabe de onde veio e dos muitos jogadores que passaram por aqui [seleção brasileira]. Chegou o meu momento. Quero aproveitar o máximo possível, que é trazer o hexa para o Brasil”, concluiu, com a ambição clara de conquistar o título mundial para sua nação.
A trajetória de Rayan, marcada por talento, disciplina tática e um profundo respeito por suas raízes, o posiciona como uma das figuras mais promissoras do futebol brasileiro. A sintonia com a filosofia de Ancelotti, aliada à mentoria de Diniz e Iraola, e seu inegável orgulho de onde veio, solidificam sua presença como um jogador completo e determinado a deixar sua marca na história do esporte e na busca pelo tão sonhado hexacampeonato mundial.