Ex-OMC: Brasil Busca Ampliar Exceções Tarifárias em Meio a Nova Política Industrial dos EUA

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As relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos entraram em uma nova fase de negociações nesta segunda-feira (6), com a realização de uma audiência pública focada nas tarifas de 25% impostas sobre produtos brasileiros. O cerne da discussão, que envolve representantes do setor produtivo nacional e do governo americano, reside na busca por flexibilizações. Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), expressou à CNN uma expectativa concreta de que a lista de produtos isentos dessas sobretaxas seja ampliada.

A Essência da Medida Americana: Política Industrial, Não Ideologia

Contrariando a percepção de motivações ideológicas, Azevêdo esclareceu que as tarifas americanas são, na verdade, uma manifestação de uma política industrial dos Estados Unidos com alcance global. Ele salientou que a medida não se direciona especificamente ao Brasil, mas sim a um vasto conjunto de quase 90 nações, sublinhando o caráter estrutural dessa iniciativa. O objetivo central de Washington, segundo o especialista, é reformular sua política industrial, elevando impostos de importação que, na sua visão, têm sido excessivamente baixos e favorecem produtos estrangeiros em detrimento da produção doméstica.

Embora avalie a estratégia como equivocada do ponto de vista econômico puro, Azevêdo reconhece a lógica política por trás de um projeto que visa maior nacionalismo econômico e menor dependência de fornecedores externos, o que confere à medida uma coerência sob o ângulo de interesses domésticos americanos.

Estratégias para Conquistar Exceções Tarifárias

Para que o Brasil obtenha sucesso na ampliação da lista de produtos isentos – que atualmente inclui calçados, equipamentos, máquinas, pescados e crustáceos –, Azevêdo delineou critérios fundamentais. O primeiro e mais persuasivo argumento é a capacidade de demonstrar que a taxação de um produto específico resultará em um aumento significativo nos custos para a própria cadeia produtiva americana, elevando o preço final para o consumidor nos EUA. Isso se torna ainda mais relevante considerando que 62% das exportações brasileiras afetadas são insumos cruciais para a indústria norte-americana, podendo encarecer e, em alguns casos, até inviabilizar a produção local.

Outro ponto crucial é a comprovação da escassez de alternativas de suprimento equivalentes fora do Brasil, ou que a substituição por outros fornecedores implicaria em custos substancialmente mais altos. A posição do Brasil como principal fornecedor dos EUA em 11 produtos, como álcool e hidróxido de alumínio, é um trunfo nesse sentido. Essa liderança geralmente indica maior competitividade, tornando a substituição por outros países uma tarefa árdua para as empresas americanas.

O Caminho Mais Eficaz: Alianças Internas nos Estados Unidos

Roberto Azevêdo enfatizou que a via mais promissora para garantir exceções às tarifas não reside nas negociações diplomáticas tradicionais entre governos, mas sim na mobilização estratégica de atores dentro dos próprios Estados Unidos. Segundo ele, o êxito passa por angariar aliados americanos, como empresas congêneres e clientes dos produtos brasileiros, que possam atuar como lobistas junto ao Departamento de Comércio e à Casa Branca, expondo os prejuízos diretos que as tarifas estão causando às suas operações e negócios. Ele observou que nenhum dos produtos já isentos na lista americana obteve tal status por meio de negociações bilaterais, que, em sua avaliação, têm demonstrado pouco progresso.

Há um impasse nas tratativas oficiais, com ambos os lados trocando acusações: os americanos alegam falta de engajamento brasileiro, enquanto o Brasil aponta a ausência de uma lista clara de demandas e a procrastinação por parte dos EUA. Diante dessa estagnação nas negociações intergovernamentais, a conclusão de Azevêdo é que o setor privado brasileiro não pode esperar e deve proativamente buscar seus próprios “atalhos” para influenciar a decisão americana.

Conclusão

A situação atual exige do Brasil uma estratégia multifacetada para mitigar o impacto das tarifas americanas. Mais do que depender de acordos diplomáticos bilaterais, a chave para ampliar as exceções reside na capacidade de demonstrar o impacto negativo das sobretaxas na própria economia dos EUA e na articulação com o setor privado americano. Nesse cenário, a agilidade e a capacidade de argumentação do empresariado brasileiro serão decisivas para proteger suas exportações e, por extensão, a competitividade da cadeia produtiva americana.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br

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