Uma mulher trans de 45 anos foi brutalmente assassinada a facadas na noite do último sábado, no bairro Carajás, em Contagem, Região Metropolitana de Belo Horizonte. O crime chocou a comunidade e levou à rápida detenção de um suspeito de 21 anos, cuja confissão à Polícia Militar (PMMG) ocorreu em meio a um cenário de violenta retaliação popular.
As autoridades foram acionadas por volta das 21h para a Rua Cidade de Minas, após relatos de que um homem ensanguentado havia confessado o assassinato de uma mulher trans, desencadeando uma série de eventos que culminaram na prisão do indivíduo e na abertura de uma investigação aprofundada.
Cena do Crime e Sinais de Tentativa de Incineração
Ao chegar ao imóvel indicado, os militares se depararam com a vítima já sem vida, deitada sobre a cama. O corpo apresentava múltiplas perfurações por arma branca, e evidências adicionais sugeriam uma tentativa de ocultação ou destruição do corpo: sinais de queimaduras foram notados nos cabelos da mulher. No local, a perícia apreendeu uma faca suja de sangue, presumivelmente a arma do crime, e dois isqueiros, reforçando a hipótese de que houve uma tentativa de incendiar o corpo.
Justiça com as Próprias Mãos: A Agressão ao Suspeito
A localização do suspeito ocorreu na Rua Jordânia, onde ele foi encontrado sendo agredido por populares. Revoltados com a notícia do assassinato, moradores da região o amarraram a uma placa de sinalização de trânsito e o atacaram com pedaços de madeira e pedras. Após a intervenção policial, os agressores não foram identificados nem detidos. Devido aos ferimentos sofridos durante o espancamento, o homem de 21 anos recebeu atendimento médico na UPA Ressaca antes de ser formalmente encaminhado à delegacia.
O Relato do Suspeito: Um Encontro que Terminou em Tragédia
Durante o interrogatório ainda no local, o suspeito confessou o homicídio e detalhou a sequência dos fatos à Polícia Militar. Segundo seu depoimento, ele e a vítima se conheceram na madrugada do dia do crime em uma adega. Após consumirem bebidas alcoólicas e drogas, ambos seguiram para a residência da mulher trans. O suspeito alegou que, em certo momento, a vítima teria tentado estuprá-lo, removendo suas roupas sem consentimento. Ele afirmou ter reagido a essa tentativa desferindo diversos golpes de faca contra ela.
O relato do detido prossegue indicando que ele permaneceu na casa após o crime, chegando a dormir no local. Ao acordar, teria tentado incendiar o corpo da vítima utilizando um isqueiro. Em seguida, deixou o imóvel e retornou à adega, onde continuou a consumir álcool. Foi nesse estabelecimento que ele teria comentado sobre o assassinato, o que levou à sua localização e subsequente agressão pelos populares.
A Investigação da Polícia Civil
A ocorrência foi formalmente encaminhada à Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), que agora assume a investigação para apurar todos os detalhes do caso. A equipe de investigação da PCMG será responsável por confrontar o depoimento do suspeito com as evidências forenses e testemunhais, buscando esclarecer as circunstâncias exatas do homicídio, incluindo a motivação e a dinâmica dos acontecimentos que levaram à morte da mulher trans. A reportagem aguarda um posicionamento oficial e mais informações por parte da Polícia Civil sobre o andamento das apurações.
Fonte: https://www.metropoles.com