O sonho de conquistar a Copa do Mundo e levá-la de volta para casa segue vivo para a Inglaterra. Em uma noite de domingo dramática na Cidade do México, os Três Leões mostraram resiliência e técnica ao derrotar a seleção anfitriã por 3 a 2 nas oitavas de final, mesmo enfrentando a desvantagem numérica por parte do segundo tempo. A vitória no lotado Estádio Azteca não apenas silenciou a apaixonada torcida local, mas também pavimentou o caminho para um confronto eletrizante nas quartas de final.
Rumo ao Bicampeonato: O Desafio Norueguês e a Frustração Mexicana
Campeã mundial em 1966, única vez em que sediou o torneio, a Inglaterra agora mira o bicampeonato, tendo como próximo adversário a Noruega. A equipe nórdica avançou após surpreender e eliminar o Brasil com uma vitória por 2 a 1, em Nova Jersey. O embate pelas quartas de final está agendado para o próximo sábado, 11 de julho, às 18h (horário de Brasília), em Miami, nos Estados Unidos, prometendo outro duelo de alto nível. Para o México, a derrota representa mais uma dolorosa eliminação nas oitavas de final, um padrão que se repete desde 1986, quando sediou o Mundial e chegou às quartas. Excluindo sua ausência em 1990, esta é a oitava vez nas últimas nove edições que a seleção mexicana cai nesta fase, evidenciando uma persistente barreira no torneio, especialmente após sequer terem chegado à fase eliminatória em 2022.
Caos Climático e um Primeiro Tempo Eletrizante
A jornada no Azteca começou com um atraso inesperado. Inicialmente marcada para as 21h (de Brasília), a partida teve seu pontapé inicial postergado em uma hora devido a um forte temporal com raios que atingiu a Cidade do México. A Federação Internacional de Futebol (Fifa) ativou um protocolo de segurança, comum em jogos nos Estados Unidos, direcionando torcedores a áreas protegidas e aguardando melhoria nas condições. Mesmo com a chuva diminuindo, a etapa inicial foi marcada por uma intensa disputa, refletida no cartão amarelo para o volante inglês Declan Rice nos primeiros segundos de jogo. Por cerca de 30 minutos, a transpiração superou a inspiração, com poucas chances claras, sendo a cabeçada de Raúl Jiménez aos 14 minutos, defendida por Jordan Pickford, o momento de maior destaque.
No entanto, os 15 minutos finais antes do intervalo transformaram completamente o panorama da partida. Aos 36 minutos, em um contra-ataque fulminante iniciado por Pickford na defesa, Bukayo Saka superou Jesús Gallardo pela direita e cruzou com precisão para Jude Bellingham abrir o placar para a Inglaterra. O estádio mal havia digerido o primeiro gol quando, um minuto depois, Elliot Anderson desarmou Gilberto Mora, a bola sobrou para Bellingham, que acionou Harry Kane. O chute cruzado de Kane encontrou novamente Bellingham, que completou para as redes, ampliando a vantagem inglesa e silenciando o Azteca. Apesar do choque, o México reagiu rapidamente: aos 42 minutos, após uma cobrança de falta na área, a bola desviou em Ezri Konsa e sobrou para Julián Quiñones diminuir para os anfitriões. Antes do apito final, Jiménez ainda teve duas chances perigosas nos acréscimos, com Pickford salvando a mais crucial em uma cabeçada aos 47.
Expulsão, Dois Pênaltis e a Resiliência Inglesa
O segundo tempo manteve a intensidade do final da etapa inicial. Logo aos três minutos, Nico O'Reilly, do México, acertou a trave esquerda com um chute da entrada da área. Aos sete minutos, o jogo virou dramaticamente quando o lateral inglês Jarell Quansah foi expulso após uma revisão do VAR, por atingir a perna de Gallardo com a sola do pé. O árbitro Alireza Faghani, inicialmente sem marcar a falta, recorreu ao vídeo e aplicou o cartão vermelho, deixando a Inglaterra com um jogador a menos e sob pressão da torcida local.
No entanto, a superioridade numérica mexicana não durou muito para ser aproveitada em campo. Aos 12 minutos, o goleiro mexicano Raúl Rangel cometeu pênalti ao derrubar Anthony Gordon na área. Harry Kane cobrou com maestria e marcou seu sexto gol na Copa, restabelecendo a vantagem de dois gols para a Inglaterra. Curiosamente, o próprio Kane seria protagonista de outro pênalti aos 20 minutos, desta vez a favor do México, ao acertar Brian Gutiérrez em uma disputa de bola dentro de sua própria área. Após nova intervenção do VAR, Jiménez converteu a penalidade, recolocando o México no jogo com o placar de 3 a 2. Os minutos finais foram um verdadeiro ataque contra defesa, com a seleção mexicana pressionando incessantemente em busca do empate e a Inglaterra se fechando, demonstrando notável organização tática e esforço físico para segurar o resultado com um homem a menos. A bravura inglesa prevaleceu, selando a frustração da torcida mexicana por mais uma eliminação precoce.