Fim da Escala 6×1: Abrasce Alerta para Cenário ‘Avassalador’ e Perdas Milionárias no Setor de Shoppings

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A proposta de emenda à Constituição (PEC) que visa pôr fim à escala de trabalho 6×1, atualmente em tramitação no Congresso Nacional, gera profunda preocupação no setor de shopping centers. A Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) projeta um impacto "avassalador" para o segmento, com perdas estimadas em impressionantes R$ 15 bilhões já no primeiro ano de vigência, caso a medida seja aprovada. Este cenário, conforme alertado pelo presidente da associação, Glauco Humai, em evento recente em São Paulo, desenha um quadro sombrio de demissões em massa, fechamento de negócios e um exponencial aumento da informalidade.

Projeções de Impacto Econômico Imediato

As consequências financeiras para o ecossistema de shoppings, conforme cálculos da Abrasce, são severas. A projeção de R$ 15 bilhões em perdas logo no primeiro ano sinaliza um desequilíbrio significativo. Glauco Humai enfatiza que a mudança forçará uma reestruturação completa no modelo operacional dos empreendimentos, dado que o setor depende intensivamente de mão de obra. Essa reestruturação resultaria diretamente em elevação dos custos trabalhistas e uma retração drástica no ritmo de contratações, impactando a capacidade de geração de empregos formais e a sustentabilidade de diversas operações.

Crítica ao Processo Legislativo e ao Momento Inadequado

A principal crítica da Abrasce não se volta necessariamente contra a ideia de uma evolução na escala de trabalho, mas sim contra a forma e a velocidade com que a PEC está sendo conduzida no Congresso. Humai ressalta que a entidade questiona veementemente a implementação "sem discussão, sem estudo, sem tempo, em ano eleitoral". Para a associação, a mudança é uma evolução necessária, mas que deve ser debatida e implementada no momento e na forma adequados, garantindo que o mérito da proposta possa ser analisado de forma responsável, e não sob a pressão de um calendário político.

Consequências Amplas para o Varejo e o Ecosistema de Shoppings

Estudos econômicos encomendados pelo setor apontam que o impacto da PEC pode ir além das perdas imediatas, provocando uma retração potencial no faturamento anual e, consequentemente, uma queda generalizada nas vendas. O temor é que o custo adicional imposto pela nova regra atue como um "meteoro" econômico sobre os lojistas, desencadeando uma crise de proporções ainda maiores e de mais difícil superação do que os desafios enfrentados durante o período de restrições da pandemia de Covid-19. A preocupação é com a sustentabilidade do modelo de negócio em longo prazo.

A Vulnerabilidade de Pequenos Lojistas e Quiosques

A maior fragilidade, segundo a Abrasce, concentra-se nos pequenos comerciantes. Dos 115 mil lojistas que operam em shoppings brasileiros, aproximadamente 60% são estabelecimentos de pequeno porte, com estruturas enxutas e um quadro de apenas quatro ou cinco funcionários. Para esse grupo, a exigência de contratar novos colaboradores para cobrir os dois dias de folga obrigatórios poderia elevar os custos com pessoal em até 25%. A situação é ainda mais crítica para os 16 mil quiosques distribuídos pelos corredores dos shoppings, que, comumente operam com um ou dois funcionários, poderiam ter seus custos trabalhistas simplesmente dobrados, tornando a operação inviável para muitos.

Desafios em um Momento Histórico para a Abrasce

O debate sobre a escala 6×1 ganha uma dimensão particular em um momento de celebração para a Abrasce, que comemora 50 anos de fundação em junho. Glauco Humai destacou a importância de reunir fornecedores, consumidores, empreendedores, administradores e lojistas para, justamente, projetar o futuro do setor. Contudo, em vez de focar apenas no desenvolvimento, a entidade vê-se diante do desafio de proteger o segmento de uma mudança legislativa que, se mal planejada, pode comprometer seriamente sua vitalidade e sua capacidade de continuar gerando milhões de empregos e impulsionando a economia brasileira.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br

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