A Tereos, gigante do setor sucroenergético, encerrou a safra 2025/26 com um resultado financeiro que reflete os desafios enfrentados pelo mercado. A produtora de açúcar, etanol e bioenergia registrou um lucro líquido de R$ 137 milhões, representando uma queda acentuada de 62% em comparação com o ciclo anterior. Este desempenho coloca em perspectiva o cenário operacional e as estratégias adotadas pela companhia durante o período.
Desempenho Financeiro em Detalhe
A receita líquida da Tereos, embora tenha atingido a impressionante marca de R$ 5,7 bilhões – a terceira maior na história da empresa –, apresentou um recuo de 16% na comparação anual. Simultaneamente, o Ebitda ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) alcançou R$ 1,059 bilhão, uma redução de 34% frente à safra anterior. Consequentemente, a margem Ebitda ajustada também sofreu um decréscimo de 5 pontos percentuais, estabelecendo-se em 19%.
Impactos Climáticos e Redução na Moagem
Um dos principais fatores que influenciaram os resultados da safra 2025/26 foi a condição climática desfavorável. A Tereos processou um volume total de 17,9 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, o que representa uma diminuição de 12,3% em relação à temporada anterior. Essa retração na moagem foi um reflexo direto da menor produtividade que acometeu a região Centro-Sul do Brasil, impactando a disponibilidade de matéria-prima para a indústria.
Estratégia de Mix de Produção e Volumes Gerados
Apesar da menor oferta de cana, a empresa demonstrou uma clara estratégia de mercado ao priorizar a produção de açúcar. O mix de produção atingiu um recorde histórico, com 71% da matéria-prima destinada à fabricação de açúcar. Com essa alocação, a Tereos produziu um total de 1,7 milhão de toneladas do produto. Em paralelo, a produção de etanol totalizou 426 milhões de litros, complementando o portfólio da companhia.
Gestão da Dívida e Alavancagem Financeira
No que tange à sua estrutura de capital, a Tereos conseguiu reduzir sua dívida líquida total em 19%, alcançando R$ 2,197 bilhões. Contudo, a relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado, ou alavancagem, registrou um aumento. Em um ano, esse indicador passou de 1,7 vez para 2,2 vezes, refletindo a queda mais acentuada no Ebitda em comparação com a redução da dívida.
Em suma, a safra 2025/26 foi um período de adaptação e desafios para a Tereos. Embora tenha enfrentado um cenário adverso, com impactos climáticos significativos na produção agrícola e consequente redução nos indicadores financeiros chave, a empresa manteve uma posição robusta em receita histórica e conseguiu gerenciar sua dívida, mesmo com o aumento da alavancagem. Os resultados apontam para a necessidade de resiliência e estratégias eficientes diante das volatilidades do setor.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br