Brasil Inicia Ciclo Paralímpico em Destaque nos Jogos Parasul-Americanos

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Os Jogos Parasul-Americanos, sediados em Valledupar, Colômbia, representam um marco significativo para o esporte paralímpico brasileiro. Além de ostentar uma liderança avassaladora no quadro de medalhas, a delegação brasileira inaugura um novo ciclo preparatório, visando os Jogos Paralímpicos de Los Angeles em 2028. Em meio a essa jornada de excelência, a seleção de futebol de cegos, historicamente dominante, busca reafirmar sua hegemonia após um período de desafios recentes.

Futebol de Cegos: O Início de um Novo Ciclo e a Estreia do Brasil

A quinta-feira (9) marcou a aguardada estreia da seleção brasileira de futebol de cegos nos Jogos Parasul-Americanos. O confronto inicial ocorreu às 18h (horário de Brasília) contra o Panamá, na cidade vizinha de Agustín Codazzi, com transmissão ao vivo pelo canal do YouTube da Señal Colombia. Este torneio é crucial para a equipe, pois sinaliza o ponto de partida do ciclo de preparação para os Jogos Paralímpicos de Los Angeles 2028, sob nova liderança e com a meta clara de retomar o lugar mais alto do pódio.

À frente da pentacampeã mundial e paralímpica, está o novo técnico Julio Cesar Macena, conhecido como Cesinha. Ele assume o comando após ter sido o 'chamador' – membro da comissão técnica responsável por orientar os atacantes – na campanha que garantiu o bronze em Paris. Cesinha substitui Fábio Vasconcelos, o ex-goleiro e tricampeão mundial e paralímpico como treinador. A transição busca injetar novo fôlego e estratégias para o time, que já mostrou seu potencial em amistosos recentes, vencendo a França em São Paulo por duas vezes (2 a 0) e uma por (5 a 0) em maio deste ano.

Desafios Recentes e a Busca pela Retomada

Apesar do histórico de glórias, o futebol de cegos brasileiro enfrentou adversidades nos últimos anos. Nos Jogos Paralímpicos de Paris, a seleção ficou, pela primeira vez, fora da final, conquistando a medalha de bronze após ser superada pela Argentina na semifinal e vencer a Colômbia na disputa pelo terceiro lugar. O título, naquela ocasião, ficou com a equipe anfitriã, a França. Essa performance, embora medalhista, quebrou uma sequência de ouros paralímpicos.

O último ciclo paralímpico também registrou outros resultados aquém do esperado em grandes eventos. Na Copa América de 2022, realizada em Córdoba, Argentina, o Brasil ficou com o vice-campeonato, perdendo a final para os anfitriões. A Argentina também levou a melhor no Campeonato Mundial de 2025, em Birmingham, Reino Unido, onde o Brasil terminou em terceiro lugar. Esses resultados reforçam a importância de uma performance sólida nos Jogos Parasul-Americanos para reacender a confiança e pavimentar o caminho rumo a Los Angeles 2028.

Formato e Calendário da Competição de Futebol de Cegos

O torneio de futebol de cegos nos Jogos Parasul-Americanos reúne seis seleções: Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Panamá e Peru. A primeira fase da competição é disputada em turno único, onde todas as equipes se enfrentam. As duas seleções com as melhores campanhas avançam diretamente para a grande final, enquanto o terceiro e o quarto colocados disputam a medalha de bronze.

Após a estreia contra o Panamá, a jornada do Brasil continua com desafios importantes. Os brasileiros enfrentarão a Colômbia, equipe da casa, na sexta-feira (10) às 11h. O reencontro com a rival Argentina está marcado para sábado (11), também às 11h. No domingo (12), às 20h30, o adversário será o Chile, e a fase de grupos se encerra na segunda-feira (12), às 18h, contra o Peru. As decisões das medalhas ocorrerão na quarta-feira (15), com a disputa do bronze às 11h e a final às 18h, encerrando a participação da modalidade nos Jogos.

Brasil Lidera o Quadro Geral de Medalhas com Folga

Além do foco no futebol de cegos, a delegação brasileira tem demonstrado uma performance espetacular no quadro geral de medalhas dos Jogos Parasul-Americanos. Após uma semana de competições, o Brasil lidera com ampla vantagem, acumulando 68 pódios. Desses, 31 são medalhas de ouro, 25 de prata e 12 de bronze. A dominância brasileira é notável, com 20 ouros a mais que a Colômbia, anfitriã do evento, que ocupa a segunda posição com um total de 34 medalhas.

A magnitude da campanha brasileira é evidente ao compararmos seus resultados com os demais países. O número de ouros do Brasil, por exemplo, supera quase o total de medalhas conquistadas pela Colômbia, e é superior aos totais de Venezuela (14 medalhas) e Argentina (23 medalhas), que figuram em quarto e quinto lugares, respectivamente. O Chile completa o pódio provisório, na terceira posição, com 37 pódios, incluindo 10 medalhas douradas. Esta performance robusta solidifica a posição do Brasil como uma potência paralímpica regional.

Destaque para Conquistas Inovadoras em Esportes Coletivos

A última quarta-feira (8) foi particularmente gloriosa para o Brasil, com um desempenho impecável nos esportes coletivos. As seleções masculinas e femininas de goalball e vôlei sentado garantiram todas as medalhas de ouro em suas respectivas modalidades, demonstrando a força do esporte paralímpico brasileiro, mesmo atuando com equipes que não estavam em sua formação principal.

No goalball, a única modalidade paralímpica exclusivamente para deficientes visuais e não uma adaptação de outro esporte, o Brasil utilizou suas equipes de base. A seleção masculina venceu a Argentina, sexta melhor do mundo no ranking adulto, por 8 a 6 na final. Já a equipe feminina conquistou o ouro ao superar o Peru por 5 a 4 em uma emocionante prorrogação. No vôlei sentado, devido à participação das seleções principais no Campeonato Mundial em Hangzhou, China, o Brasil competiu em Valledupar com equipes alternativas. Ainda assim, o time masculino venceu a Colômbia por 3 sets a 0 na final, com parciais de 25/19, 25/20 e 25/15. A equipe feminina também dominou o Peru, garantindo o ouro com um placar de 3 sets a 0 (25/16, 25/10, 25/12).

Com a liderança incontestável no quadro de medalhas e o início de um novo e promissor ciclo para o futebol de cegos, o Brasil reafirma seu compromisso com a excelência no esporte paralímpico. Os Jogos Parasul-Americanos não são apenas uma vitrine de talentos, mas também um trampolim crucial para a construção de futuras vitórias, com os olhos fixos em Los Angeles 2028 e no fortalecimento contínuo das diversas modalidades que representam o país.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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