Vice-Prefeita de Ribeira Enfrenta Duplas Acusações: Desvio para Rituais Espirituais e Esquema de Servidora Fantasma

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Juliana Maria Teixeira da Costa, vice-prefeita afastada de Ribeira (SP), encontra-se no centro de sérias investigações que abalam a administração pública municipal. Atualmente afastada do cargo desde agosto de 2025, após denúncias de fraudes em licitações, a política agora responde a duas frentes de acusação graves: o suposto uso de verbas públicas para o pagamento de um 'casamento espiritual' e a manutenção de uma 'servidora fantasma' enquanto secretária municipal de Saúde.

Fraudes em Licitações e o Polêmico 'Casamento Espiritual'

O afastamento inicial de Juliana Maria Teixeira decorreu de uma denúncia de fraude em licitações que visava favorecer uma empresa terceirizada. As investigações do Ministério Público (MP) apontam que ela teria atuado em conluio com Lauro Olegário da Silva Filho, então coordenador municipal de Saúde, e Willian Felipe da Silva, proprietário da W.F. da Silva Treinamentos. No desdobramento dessas apurações, o MP revelou que a empresa de Willian teria efetuado um pagamento de R$ 41,2 mil para uma 'amarração espiritual', encomendada por Juliana. O objetivo, segundo a acusação, seria afastar Lauro de sua esposa e iniciar uma relação amorosa com ele. Este processo, que envolve crimes como associação criminosa, fraude à licitação, uso de documento falso, falsidade ideológica e peculato, tramita sob segredo de Justiça, atualmente na fase de alegações finais. A Justiça, na última semana, decidiu manter o afastamento da vice-prefeita.

Acusação de Improbidade Administrativa por 'Servidora Fantasma'

Paralelamente às denúncias de desvio de verba para fins espirituais, Juliana Maria Teixeira também é alvo de um processo por improbidade administrativa, desta vez relacionado ao período em que ocupou a Secretaria Municipal de Saúde. O Ministério Público a acusa de ter mantido uma 'servidora fantasma' na pasta, gerando um prejuízo de cerca de R$ 30 mil aos cofres públicos ao longo de um ano.

Detalhes da Contratação Irregular

A 'servidora' em questão, filha do antigo secretário municipal e com 17 anos à época dos fatos, foi contratada diretamente, sem licitação, e suas atividades teriam sido simuladas. Em depoimento à promotoria, a jovem afirmou que atuava como auxiliar de informática a pedido de seu pai, confessando não possuir capacitação técnica para a função e realizando apenas serviços básicos como digitação e instalação de programas. Ela declarou ter recebido R$ 2,5 mil mensais entre julho e dezembro de 2024. Contudo, o Portal da Transparência indicou pagamentos estendidos até maio de 2025.

Posição do Ministério Público e Defesa

A promotoria enfatiza que, embora a contratação inicial tenha ocorrido antes de Juliana assumir a chefia da Saúde em outubro de 2024, ela é acusada de manter esses pagamentos irregulares até maio de 2025. A defesa da vice-prefeita argumenta que ela não era secretária no momento da contratação e que não há provas de dano ao erário ou dolo específico. No entanto, o MP refuta, alegando que a secretária tinha o dever de fiscalizar contratos e pagamentos, especialmente um realizado diretamente a uma menor, filha de um ex-secretário, e sem comprovação dos serviços. Diante disso, o órgão solicitou a condenação de Juliana e do prefeito Ari do Carmo (PSD) por improbidade administrativa, além do ressarcimento de R$ 30,4 mil aos cofres públicos.

Repercussões e Medidas Recomendadas

Além dos pedidos de condenação e ressarcimento, o Ministério Público determinou que a prefeitura de Ribeira realize uma reforma administrativa abrangente. O objetivo é coibir futuras contratações irregulares e adequar a estrutura municipal às normas legais. A Justiça ainda não proferiu uma decisão final sobre o pedido de condenação por improbidade administrativa, mantendo a expectativa sobre os próximos passos dos processos que envolvem a vice-prefeita.

As denúncias contra Juliana Maria Teixeira da Costa revelam a complexidade e a gravidade das acusações que pesam sobre a administração de Ribeira. Com a vice-prefeita afastada e múltiplos processos em andamento, a população aguarda as decisões judiciais que determinarão as responsabilidades e as consequências de tais atos, reforçando a importância da transparência e da ética na gestão pública.

Fonte: https://g1.globo.com

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