Vale: Novo Vazamento de Água Atinge Mina em Congonhas, Aprofundando Preocupações Ambientais Após Incidente Anterior

PUBLICIDADE

Um novo incidente ambiental foi registrado em uma das operações da mineradora Vale em Congonhas, na região central de Minas Gerais. O extravasamento de água ocorreu na mina Viga, situada na estrada Esmeril, e foi prontamente identificado pela prefeitura e pela Defesa Civil, que confirmaram a chegada do material ao rio Maranhão. Este é o segundo evento do tipo em menos de 24 horas envolvendo estruturas da empresa na mesma cidade, levantando sérias questões sobre a segurança operacional e os impactos ecológicos.

Detalhes do Mais Recente Vazamento na Mina Viga

O extravasamento na mina Viga, embora tenha alcançado o rio Maranhão, foi caracterizado pelas autoridades locais como de impacto predominantemente ambiental. Diferentemente de outros incidentes, não foram reportados bloqueios de vias ou comunidades diretamente atingidas pela água. A prioridade agora recai sobre a avaliação da extensão da contaminação fluvial e a implementação de medidas mitigadoras para preservar a biodiversidade e a qualidade da água do rio.

O Precedente: Rompimento na Mina de Fábrica e Suas Consequências

O incidente na mina Viga ocorre na esteira de um rompimento significativo registrado na véspera (25) na mina de Fábrica, também operada pela Vale em Congonhas, localizada a aproximadamente 22 quilômetros de distância. Na ocasião, uma barreira de contenção de água cedeu, liberando um volume estimado em 263 mil metros cúbicos de água turva. Este material, carregado com minério e outros resíduos do processo de beneficiamento mineral, transbordou pelo dique Freitas, causando extenso carreamento de sedimentos e rejeitos.

Apesar de não haver vítimas, os impactos ambientais foram consideráveis, com a lama atingindo inicialmente uma área da mineradora CSN e, posteriormente, percorrendo o rio Goiabeiras. Este rio, que atravessa parte da zona urbana de Congonhas, deságua no rio Maranhão, que por sua vez é afluente do rio Paraopeba – o mesmo curso d'água severamente impactado pelo rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, em 2019.

Impactos em Unidades Mineradoras e Resposta da CSN

O rompimento na mina de Fábrica resultou no alagamento de diversas instalações da unidade Pires da CSN Mineração, localizada em Ouro Preto. Áreas como o almoxarifado, acessos internos, oficinas mecânicas e a área de embarque da CSN foram diretamente afetadas. Em comunicado, a CSN ressaltou que suas próprias estruturas de contenção de sedimentos estão operando normalmente e que a empresa segue monitorando a situação de perto, buscando avaliar e mitigar os danos em suas propriedades.

Ações Emergenciais e Consequências Ambientais de Longo Prazo

Diante da gravidade e da recorrência dos episódios, uma sala de crise foi estabelecida, reunindo representantes das defesas civis de Congonhas e Ouro Preto, da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (CEDEC), do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, da Secretaria de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas de Congonhas, e do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). Esta equipe multidisciplinar está avaliando os danos e coordenando as ações de resposta.

João Lobo, secretário municipal de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, alertou para as sérias consequências do alto nível de turbidez da água. Ele destacou que a qualidade da água será drasticamente reduzida, resultando na perda significativa de biodiversidade devido à diminuição de oxigênio e luminosidade. Além disso, o assoreamento dos rios aumenta as chances de enchentes, e materiais carreados, potencialmente tóxicos, podem afetar as matas ciliares, essenciais para a contenção de barrancos e prevenção de inundações. Próximo ao local do rompimento na mina de Fábrica, já foram observados arraste de árvores, rochas e alterações no curso do rio, indicando danos imediatos e de difícil reversão.

Fiscalização e Silêncio da Vale

A secretaria municipal de Meio Ambiente de Congonhas aplicou um auto de infração à Vale em decorrência do incidente na mina de Fábrica, que poderá ser convertido em multa. A prefeitura argumenta que, embora não se trate de uma barragem, a estrutura apresentava potencial para causar problemas ambientais e sociais graves, incluindo a perda de vidas, e que a empresa não demonstrava um monitoramento atento e contínuo da área. Até o momento, tanto a Vale quanto o Ministério de Minas e Energia não se manifestaram publicamente sobre os recentes acontecimentos.

Os repetidos vazamentos em Congonhas reforçam a preocupação com a segurança das operações minerárias em Minas Gerais, um estado que já enfrenta o legado de desastres ambientais de grande porte. A série de incidentes sublinha a urgência de uma fiscalização rigorosa e de investimentos contínuos em tecnologias e práticas que garantam a proteção ambiental e a segurança das comunidades lindeiras. A atenção se volta agora para as investigações em curso e as medidas que serão impostas para evitar que tais eventos se tornem uma rotina prejudicial ao meio ambiente e à sociedade.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

Mais recentes

PUBLICIDADE