Marcos Aurélio Abe, advogado e respeitado professor de jiu-jitsu de 45 anos, faleceu neste sábado (14) após uma semana de internação em estado grave. Ele havia sido baleado em Colina, interior de São Paulo, durante uma discussão com o vice-prefeito da cidade, Rafael Corrêa Rodrigues (PP), que se tornou o principal suspeito do crime. A morte de Abe eleva a gravidade do caso, transformando a investigação de tentativa de homicídio qualificado em homicídio consumado, conforme confirmou a Polícia Civil.
O Desfecho Fatal e a Mudança na Investigação
A confirmação do óbito de Marcos Aurélio Abe ocorreu nas primeiras horas deste sábado, por volta das 2h30, na Santa Casa de Barretos (SP), onde ele estava internado desde o dia do incidente. O corpo foi posteriormente liberado do Instituto Médico Legal (IML) pela manhã. O delegado Guilherme Carvalho de Oliveira, responsável pelas apurações, reiterou que o falecimento da vítima não altera o curso da investigação, mas sim a tipificação penal. "O crime que muda de homicídio qualificado tentado, para consumado", declarou Oliveira, sinalizando a gravidade final das acusações contra o vice-prefeito.
A Dinâmica do Incidente e a Versão do Suspeito
O episódio que culminou na morte do professor de jiu-jitsu aconteceu na noite do último domingo (8), no bairro Jardim Universal, em Colina. Relatos do boletim de ocorrência indicam que Marcos Aurélio Abe dirigiu-se em um carro branco, portando uma arma falsa, até a residência de Rafael Corrêa Rodrigues, popularmente conhecido como Rafael Maringá, onde o vice-prefeito confraternizava com familiares. Segundo a Polícia Civil, uma discussão eclodiu entre os dois homens, momento em que Rafael efetuou um disparo contra Abe. O tiro atingiu o tórax do professor, provocando uma perfuração no pulmão. Em seu depoimento à polícia, prestado na terça-feira (10), Rafael Rodrigues alegou ter agido em legítima defesa.
Cronologia dos Fatos e o Posicionamento da Prefeitura
Após ser atingido, Marcos Aurélio Abe recebeu os primeiros socorros no pronto-socorro de Colina e, dada a gravidade de seu estado, foi transferido para a Santa Casa de Barretos (SP), onde permaneceu em tratamento intensivo por seis dias. Enquanto a vítima lutava pela vida, Rafael Rodrigues se apresentou às autoridades, oferecendo sua versão dos acontecimentos. A Polícia Militar foi imediatamente acionada no local do crime para preservar a cena e coletar evidências, incluindo manchas de sangue no banco do motorista do veículo de Abe. Em relação ao ocorrido, a Prefeitura de Colina emitiu uma nota oficial, esclarecendo que o incidente "envolve uma questão de natureza pessoal, no âmbito privado e sem relação com a gestão administrativa ou atividades do poder público", buscando desvincular o cargo do vice-prefeito da tragédia.
A morte de Marcos Aurélio Abe intensifica a complexidade do caso envolvendo o vice-prefeito de Colina, Rafael Corrêa Rodrigues. Com a reclassificação para homicídio qualificado consumado, as autoridades prosseguem com a investigação, buscando esclarecer todas as circunstâncias que levaram ao trágico desfecho. O desdobramento judicial promete ser acompanhado de perto, enquanto a comunidade de Colina e os familiares da vítima aguardam por justiça.
Fonte: https://g1.globo.com