Três dias após um temporal de intensidade severa que assolou Ribeirão Preto e cidades vizinhas no último fim de semana, a realidade de milhares de moradores é marcada pela luta e pela incerteza. Entre as histórias de devastação, a do casal de aposentados José Valter Pereira, de 71 anos, e Claudete da Silva, no bairro Jardim Jóquei Clube, se destaca. Sua casa foi severamente atingida pela queda de uma árvore de grande porte, transformando o lar em um cenário de destruição e forçando-os a procurar abrigo temporário no próprio carro enquanto enfrentam a difícil tarefa de reconstruir suas vidas.
A Luta Pela Reconstrução em Meio à Devastação Pessoal
A madrugada da última sexta-feira (24) trouxe consigo uma experiência que José Valter descreve como a de um terremoto. O impacto da árvore sobre sua residência chacoalhou a estrutura, destruindo a parte frontal e a cozinha, e o forte vento destelhou o imóvel, resultando em infiltrações contínuas devido à chuva que se estendeu até a noite de sábado (25). A família perdeu eletrodomésticos, utensílios e colchões, e o trauma se soma ao desespero pela perda material e à fragilidade emocional.
Além do prejuízo já consolidado, o aposentado expressa grande preocupação com a proximidade de outra árvore rachada em frente à sua casa. A possibilidade de novos galhos caírem agrava a angústia de José Valter, que se vê sem recursos para enfrentar mais uma calamidade. Com as condições financeiras comprometidas por viverem da aposentadoria, Claudete apela por ajuda para cobrir os custos de materiais de construção e mão de obra para a necessária reforma, evidenciando a vulnerabilidade em que se encontram.
Marcas de Um Temporal Sem Precedentes na Região
A dimensão do desastre natural se estendeu por toda a região, impactando severamente a infraestrutura local. Equipes da Prefeitura de Ribeirão Preto seguem mobilizadas na remoção de mais de 250 árvores caídas, evidência da força dos ventos, que chegaram a 70 km/h oficialmente. No entanto, medições do Instituto Agronômico (IAC) registraram picos ainda mais alarmantes, de até 160 km/h, confirmando a extraordinária intensidade do fenômeno.
Mesmo após 72 horas do evento, a recuperação completa dos serviços essenciais ainda é um desafio. Em Ribeirão Preto, 1.249 unidades consumidoras permanecem sem energia elétrica, afetando 0,35% dos usuários. A situação é ainda mais crítica em Guariba, uma das cidades mais atingidas, onde 3,8 mil clientes da CPFL Paulista aguardam o restabelecimento do fornecimento de energia, sublinhando a escala da interrupção causada pela tempestade.
Mobilização Governamental e Apoio à Recuperação
Diante da magnitude dos estragos, autoridades estaduais e federais se deslocaram para a região. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), classificou o temporal como um “episódio sem precedentes” durante sua visita no domingo (26), destacando a dificuldade dos modelos meteorológicos em prever fenômenos tão extremos. A tempestade resultou na queda de dezenas de torres de transmissão, intensificando os desafios para a normalização da energia.
No sábado (25), o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), esteve em Ribeirão Preto e anunciou o reconhecimento imediato da situação de emergência para as cidades de Guariba, Dumont, Taquaritinga, Barrinha, Pradópolis e a própria Ribeirão Preto. Esta medida, formalizada por decreto federal, é crucial para a liberação de recursos destinados à ajuda humanitária, à restauração dos serviços básicos e à execução de obras de reconstrução nas áreas mais impactadas, oferecendo uma esperança vital para as comunidades em processo de recuperação.
Fonte: https://g1.globo.com