Segurança Viária em Campinas: DER Confirma Implantação de Passarela na Miguel Melhado Após Mobilização

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O Departamento de Estradas de Rodagem (DER-SP) oficializou à Justiça a decisão de implantar uma nova passarela no km 90 da Rodovia Miguel Melhado de Campos (SP-324), em Campinas. A medida representa um avanço significativo para a segurança viária na região, que há meses enfrenta uma situação crítica, com moradores arriscando suas vidas ao atravessar a pista após a duplicação da via. A obra, que conectará os bairros Cidade Singer e Jardim Campo Belo, é resultado de uma intensa mobilização da comunidade e de ações judiciais que cobraram uma solução urgente para o problema.

A Resposta à Urgência e à Mobilização Cidadã

Em um documento protocolado junto à 2ª Vara da Fazenda Pública de Campinas, o DER-SP informou que a implantação da estrutura deverá ser realizada “com a maior brevidade possível”. A autarquia estadual ressaltou que, após observações técnicas da Regional, o local adequado para a construção é o km 90 + 370m, ponto estratégico onde já existem paradas de ônibus em ambas as margens da rodovia. A determinação vem em resposta direta à crescente preocupação com a integridade dos pedestres que necessitam transpor a SP-324 diariamente.

Histórico de Demandas e Desafios Viários

A Rodovia Miguel Melhado teve sua duplicação entregue em abril deste ano, obra que, embora tenha melhorado o fluxo de veículos, deixou uma lacuna crucial na segurança dos pedestres. Na ocasião, o governador Tarcísio de Freitas havia prometido uma nova passarela até 2027. No entanto, a ausência imediata da estrutura gerou uma onda de descontentamento e ações. A Sociedade Protetora da Diversidade das Espécies (Proesp) e o Movimento de Resistência Miguel Melhado ajuizaram uma ação cobrando a construção, enquanto o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), que já havia instaurado um inquérito civil em 2022 devido a desapropriações, também solicitou estudos para a implantação da passarela.

O trecho da rodovia é vital para a conexão de diversos bairros, dividindo conjuntos como Jardim Campo Belo I, II e III da Cidade Singer e da comunidade “Colômbia”. Com a elevação da pista após a duplicação, a única alternativa formal para pedestres era uma passagem subterrânea que, segundo os moradores, exige uma caminhada de pelo menos 600 metros. Essa distância e a percepção de insegurança têm levado muitos a ignorar as placas de proibição e a atravessar a pista diretamente, pulando barreiras em um trecho sem faixa de pedestres ou semáforo, expondo-se ao intenso fluxo diário de veículos. Relatórios com fotografias e matérias jornalísticas foram apresentados à Justiça para demonstrar o risco iminente enfrentado pela população.

Os Próximos Passos para a Concretização da Obra

O DER-SP informou que os trâmites internos para a abertura da licitação já foram iniciados. Atualmente, a autarquia está contratando os estudos técnicos e a elaboração do projeto executivo da nova estrutura. A definição da licitação, dos prazos e dos valores relativos à execução da obra ocorrerá apenas após a finalização dessa etapa de planejamento, em conformidade com a legislação vigente.

De acordo com a nota técnica protocolada, o processo para a concretização da passarela seguirá uma sequência de etapas rigorosas. Os próximos passos incluem a autorização da Diretoria de Engenharia do DER, a contratação de uma empresa especializada para os levantamentos de dados de campo e a realização dos estudos técnicos aprofundados. Em seguida, será elaborado o projeto executivo completo, culminando na contratação da empresa responsável pela execução efetiva das obras de implantação da passarela, garantindo que o projeto atenda às necessidades de segurança e funcionalidade para os pedestres.

Repercussão e Perspectivas Futuras

A decisão do DER foi recebida com cautelosa celebração pelos grupos que lideraram a mobilização. Em nota conjunta, a Proesp e o Movimento de Resistência Miguel Melhado reconheceram que a postura do DER representa uma “evolução” em comparação com o posicionamento anterior, que projetava a passarela para 2025 (e a promessa governamental para 2027). No entanto, as entidades mantêm a cobrança por um cronograma de implantação detalhado e, principalmente, por uma solução provisória e segura que possa mitigar os riscos imediatos para os cidadãos, que ainda se veem forçados a atravessar as seis pistas (quatro do DER e duas da Prefeitura de Campinas) em condições de perigo até que a passarela seja entregue.

A confirmação da construção da passarela é um marco importante para a segurança viária na Rodovia Miguel Melhado. Contudo, a efetivação da obra, com a celeridade e a qualidade esperadas, dependerá da agilidade nos próximos trâmites e da contínua vigilância da comunidade. A expectativa é que a nova estrutura proporcione uma travessia digna e segura, reconectando os bairros de Campinas de forma definitiva e eliminando os riscos que têm marcado o cotidiano dos moradores.

Fonte: https://g1.globo.com

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