A Samsung, gigante tecnológica sul-coreana, revelou um cenário financeiro complexo e um alerta preocupante para o mercado de tecnologia. Durante a apresentação de seus resultados do segundo trimestre de 2026, a empresa não apenas anunciou um lucro operacional recorde impulsionado pela divisão de semicondutores, mas também divulgou uma projeção sombria: a escassez de memórias RAM deve se estender até 2028. Paradoxalmente, enquanto a alta nos preços desses componentes contribuiu para a receita geral, a divisão de smartphones da Samsung registrou prejuízo pela primeira vez em sua história, evidenciando as pressões globais de custos e a dinâmica volátil da indústria.
A Persistência da Crise de Memórias RAM
A análise da Samsung indica que o mercado global de memórias RAM enfrentará um período de oferta estrangulada por vários anos. Executivos da companhia estimam que a situação só começará a se estabilizar em dois a três anos. No entanto, o crescente avanço e a demanda da inteligência artificial (IA) prometem intensificar ainda mais a necessidade desses componentes, estendendo o problema. O longo ciclo de construção de novas fábricas, que pode superar três anos, significa que os pedidos pendentes de 2026 se arrastarão até 2028, com fabricantes operando no limite de sua capacidade produtiva. Esse desequilíbrio entre oferta limitada e demanda crescente, especialmente do setor de IA, resulta em um aumento significativo nos preços de produtos para o consumidor final; as memórias para notebooks e computadores, por exemplo, mais que dobraram de valor em 2026.
Resultados Financeiros em Duas Vias: Semicondutores em Ascensão, Celulares em Retração
O segundo trimestre de 2026 da Samsung apresentou um quadro de extremos. A empresa celebrou uma receita total de 171,5 trilhões de KRW (aproximadamente R$ 600 bilhões) e um lucro operacional de 89,5 trilhões de KRW (cerca de R$ 310 bilhões), ambos marcos históricos. A vasta maioria desse lucro colossal foi atribuída à performance estelar de sua divisão de semicondutores, a DS.
O Impulso da Divisão DS e os Chips de Alta Performance
A divisão DS, responsável pela produção de chips, foi a grande protagonista do trimestre, registrando um impressionante salto de 56% nas vendas. Esse crescimento foi catalisado pela forte demanda e produção focada em memórias HBM4 e HBM4e, essenciais para data centers e aplicações de IA. Para a segunda metade do ano, a estratégia da Samsung é manter o foco na produção de componentes de alto valor agregado e em seus próximos chips de ponta, visando consolidar ainda mais essa lucratividade.
Os Desafios da Divisão Device eXperience (DX)
Em contraste com o sucesso dos semicondutores, a divisão Device eXperience (DX), que engloba os smartphones, sentiu o impacto das 'elevadas pressões de custos de componentes em toda a indústria'. Esta unidade registrou uma queda de 9% nas vendas em relação ao trimestre anterior e, pela primeira vez na história da Samsung, operou com prejuízo. Apesar do cenário adverso, a linha Galaxy S26 e a série intermediária Galaxy A continuaram a demonstrar alta aceitação do público e foram os principais motores de vendas. Para reverter o quadro, a empresa aposta na manutenção das vendas dos Galaxy S26 e no impulsionamento da receita com os recém-lançados Galaxy Z Fold 8 e Z Flip 8, reforçando sua posição no segmento de dobráveis.
Panorama Geral das Demais Unidades de Negócio
Outras divisões da Samsung apresentaram performances variadas. O grupo System LSI, focado em processadores móveis e sensores, enfrentou um declínio sazonal na venda de celulares premium, embora a Samsung preveja estabilidade no mercado com o lançamento de novos chips de ponta. A divisão de Foundry, responsável pela fundição de chips, aprimorou seus ganhos e garantiu contratos estratégicos para a produção de modelos de 2 nanômetros, um avanço tecnológico significativo. Por sua vez, a unidade SDC (Samsung Display Corporation) teve um crescimento robusto, impulsionado pelas vendas de displays OLED, amplamente adotados em smartphones de ponta.
Em um cenário global de tecnologia em constante mutação, a Samsung demonstra resiliência ao navegar por um período de lucros recordes em semicondutores e desafios inéditos em sua divisão de celulares. A aposta em inovação, como os novos dobráveis e chips avançados, é a chave para a empresa sul-coreana sustentar sua liderança e superar as pressões impostas pela prolongada crise de memórias RAM e pela demanda crescente da IA.
Fonte: https://www.tecmundo.com.br