A Justiça paulista formalizou a acusação contra Milton Gonçalves Filho, de 48 anos, e seu filho, Leonardo Gonçalves, de 21, que agora figuram como réus por um dos crimes mais chocantes registrados recentemente no interior do estado. Eles são acusados das mortes brutais de Sabrina de Almeida Lima, de 27 anos, e de seus três filhos: Eduardo Felipe, de 10, Victor Hugo, de 8, e Luiz Henrique, de 6. A tragédia, que vitimou a família em uma fazenda na zona rural de Jaboticabal (SP), desencadeou uma rápida resposta do Ministério Público, culminando na aceitação da denúncia e na subsequente condição de réus para pai e filho, que permanecem presos preventivamente desde o final do ano passado.
O Início do Processo Judicial e as Acusações Formais
A denúncia apresentada pelo Ministério Público em 4 de fevereiro foi integralmente acatada pela Justiça duas semanas depois, solidificando o processo criminal contra Milton e Leonardo. A decisão que os tornou réus foi proferida pelo juiz Leandro Galluzzi dos Santos, da Vara Criminal de Jaboticabal. Os acusados enfrentarão julgamento por uma série de crimes gravíssimos, incluindo feminicídio – pela morte de Sabrina –, homicídio qualificado para as três crianças, ocultação de cadáver e fraude processual. Essas qualificadoras refletem a crueldade dos atos e a subsequente tentativa de encobrir os vestígios, conforme aponta a investigação. Ambos confessaram a participação nos crimes e estão sob custódia desde 23 de dezembro.
A Cronologia dos Atrozes Acontecimentos na Fazenda
A sequência de eventos que culminou na chacina teve início na noite de 18 de dezembro, na residência onde Sabrina vivia com Milton Gonçalves Filho e seus filhos. Segundo os relatos dos próprios suspeitos à polícia, uma discussão entre Sabrina e Milton escalou rapidamente. Em meio ao calor do embate, Sabrina teria investido contra o companheiro. Neste ponto crítico, Leonardo Gonçalves interveio, alegando defender o pai, e desferiu múltiplos golpes na cabeça de Sabrina com um facão. O laudo necroscópico do Instituto Médico Legal (IML) posteriormente atestou que Sabrina de Almeida Lima estava consciente durante a brutal agressão.
A violência não parou com a mãe. Victor Hugo, de apenas 8 anos, em um ato desesperado para proteger Sabrina, correu em direção a Leonardo. Neste momento, Milton Gonçalves Filho apanhou uma marreta e desferiu um golpe fatal na cabeça do menino. Na sequência, os outros dois irmãos, Eduardo Felipe, de 10 anos, e Luiz Henrique, de 6, foram contidos pelo padrasto e também golpeados com a mesma ferramenta. Todos os quatro morreram no local, vítimas da mesma brutalidade que selou o destino da mãe.
A Fuga e a Maquinaria da Ocultação de Provas
Após a consumação dos crimes hediondos, Milton e Leonardo Gonçalves empreenderam uma série de ações para ocultar a barbárie e tentar despistar qualquer investigação. Uma das primeiras medidas foi a desativação da chave geral de energia da casa, visando impedir que as câmeras de segurança do imóvel registrassem a movimentação dos corpos. Em seguida, pai e filho transportaram os corpos das vítimas para uma área de mata densa, próxima à fazenda.
Para dificultar a identificação e a localização, os corpos foram enrolados em sacos de alumínio, comumente utilizados para silagem, e depositados em valas que eles próprios haviam escavado na mata. A extensão da premeditação e da frieza dos atos ganhou um contorno ainda mais sombrio com a revelação, feita pela polícia, de que Milton teria recompensado o filho Leonardo com um carro por sua participação nos assassinatos da ex-companheira e dos enteados, evidenciando uma parceria criminosa além do momento de fúria.
A Descoberta da Verdade e as Confissões dos Culpados
Inicialmente, Milton Gonçalves Filho tentou desviar a atenção da polícia e dos familiares, criando uma narrativa falsa de que Sabrina teria deixado a casa voluntariamente para usar cocaína, levando consigo os filhos. Essa versão, que deu início às buscas por um suposto desaparecimento em 21 de dezembro, não se sustentou diante das diligências investigativas. A postura e o comportamento do caseiro levantaram suspeitas desde o começo.
A farsa engendrada por Milton desmoronou apenas dois dias depois do início das buscas. Após ser mantido sob observação policial e submetido a um interrogatório mais aprofundado na delegacia, em 23 de dezembro, ele finalmente confessou a autoria dos crimes. Em seguida, Leonardo, que também compareceu à delegacia, admitiu sua participação nos assassinatos, levando à prisão imediata de ambos. A revelação dos detalhes e a localização dos corpos encerraram a agonia do desaparecimento, substituindo-a pelo horror da descoberta da tragédia consumada.
Perspectivas para o Júri Popular
Com a formalização da denúncia e a aceitação pela Justiça, Milton Gonçalves Filho e Leonardo Gonçalves agora aguardam a definição de uma data para o júri popular. O caso, de grande repercussão e extrema gravidade, seguirá para as próximas fases processuais, onde as provas e depoimentos serão confrontados, e a sociedade de Jaboticabal e de todo o país clama por justiça para Sabrina e seus três filhos, na expectativa de que a verdade seja plenamente estabelecida e os responsáveis respondam integralmente por seus atos.
Fonte: https://g1.globo.com