O Grupo J&F, conglomerado dos irmãos Joesley e Wesley Batista, anunciou a aquisição da Avibras, uma das mais emblemáticas empresas brasileiras do setor de Defesa e Aeroespacial. A transação marca um novo capítulo para a companhia de Jacareí, conhecida por seu papel estratégico no desenvolvimento de tecnologias militares avançadas e por suas contribuições ao programa espacial nacional, após um período de intensa reestruturação.
A J&F Adquire Avibras: Um Novo Capítulo para a Indústria de Defesa Nacional
A compra pela J&F insere a Avibras em um novo ambiente corporativo, prometendo injeção de capital e reestruturação operacional. A formalização da aquisição, no entanto, aguarda a minuciosa análise e aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão regulador responsável por avaliar a conformidade de grandes operações de mercado e prevenir a formação de monopólios.
Portfólio Estratégico: Destaques da Tecnologia Avibras
Fundada em 1961 por engenheiros do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), a Avibras consolidou-se como uma empresa de alta tecnologia, com um portfólio robusto de sistemas militares. O sistema ASTROS (Artillery SaTellite Rocket System) é amplamente reconhecido como a principal plataforma desenvolvida pela empresa. Este sistema lança diversos tipos de foguetes e mísseis, capaz de atingir alvos a distâncias que chegam a 300 quilômetros, conferindo-lhe uma capacidade de dissuasão e ataque de longo alcance.
Outro ponto alto no arsenal da Avibras é o Míssil Tático de Cruzeiro (MTC), que também possui um alcance de até 300 quilômetros e está em processo de certificação para sua nova geração. Para aplicações aéreas, a empresa oferece o Skyfire, um sistema de foguetes de 70 milímetros adaptável a aeronaves e helicópteros, com uma versão terrestre também disponível. No segmento de defesa antiaérea, a Avibras desenvolve sistemas como o FILA, projetado para combater ameaças em baixa altitude, e colabora internacionalmente em soluções para média altitude, fortalecendo a segurança do espaço aéreo.
Inovação Além da Defesa: A Atuação Aeroespacial da Avibras
Além de sua proeminente atuação na área de defesa, a Avibras possui uma relevante participação no setor aeroespacial. A empresa é responsável pelo desenvolvimento de veículos suborbitais, motores-foguete e sistemas de propulsão avançados, além de eletrônica e software embarcados, elementos cruciais para a exploração espacial.
Um de seus projetos de destaque é o propulsor sólido S50, fundamental para aplicações em veículos lançadores civis, como o VLM-1, e em plataformas suborbitais como o VS-50. A Avibras também desempenha um papel vital no treinamento e desenvolvimento, fornecendo foguetes utilizados em importantes centros de lançamento brasileiros, como os de Alcântara (MA) e da Barreira do Inferno (RN).
Superando a Crise: A Trajetória de Recuperação e o Apoio Governamental
A aquisição pela J&F ocorre em um momento crucial para a Avibras, que enfrentou um período de severa crise financeira. Em 2022, a empresa entrou em recuperação judicial, acumulando dívidas e atrasos salariais que culminaram em uma greve de funcionários que se estendeu por mais de três anos.
A retomada das operações teve início em maio de 2026, com a unidade de Jacareí reiniciando suas atividades sob o nome Avibras Aeroco e empregando cerca de 480 colaboradores. O processo de reestruturação foi fortalecido pela visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em julho do mesmo ano, que manifestou o interesse do governo em ampliar as encomendas à empresa, sinalizando apoio e reconhecimento à sua importância estratégica.
A aquisição da Avibras pela J&F, em meio a um cenário global de crescente investimento em defesa, representa uma oportunidade para a empresa consolidar sua recuperação e expandir sua presença no mercado internacional. Com um legado de inovação e tecnologia de ponta, a Avibras está posicionada para continuar sendo um pilar essencial na segurança e no avanço tecnológico do Brasil, reafirmando seu status como fornecedora chave para as Forças Armadas brasileiras e clientes estrangeiros.
Fonte: https://g1.globo.com