A região de Campinas deu o pontapé inicial na implementação do Programa das Escolas Cívico-Militares (PECIM) em seis de suas unidades de ensino estaduais, marcando uma nova fase para o ano letivo. O retorno às salas de aula nesta segunda-feira (2) foi caracterizado por um “clima de adaptação”, onde estudantes, professores e equipe pedagógica começam a se familiarizar com a nova dinâmica. A transição, no entanto, ocorre com um detalhe notável: os alunos ainda aguardam a distribuição dos uniformes definitivos, um elemento simbólico importante para a identidade do programa.
O Programa Cívico-Militar se Expande por São Paulo
Instituído pela Lei Complementar nº 1.398/2024, o Programa de Escolas Cívico-Militares abrange um total de 100 escolas estaduais distribuídas em 89 municípios paulistas. Na região de Campinas, seis unidades aderiram à iniciativa: duas localizadas em Campinas, e as demais em Hortolândia, Sumaré, Socorro e Mogi Mirim. Estas instituições oferecerão vagas tanto para o ensino fundamental quanto para o ensino médio, buscando consolidar uma proposta educacional que integra valores cívicos ao currículo tradicional. A implementação do programa representa um investimento significativo de R$ 7,2 milhões, destinados principalmente ao custeio do pagamento de policiais militares que atuarão como monitores nas escolas.
Desafios Iniciais: A Questão dos Uniformes Definitivos
Um dos pontos que marcam este início de ano letivo nas escolas cívico-militares da região é a ausência dos uniformes definitivos para os estudantes. Embora alguns alunos tenham sido vistos com vestimentas provisórias para fins de reportagem, a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo confirmou que o processo de compra dos uniformes ainda não foi finalizado. A pasta esclarece que a falta do traje padrão não impede o desenvolvimento das atividades pedagógicas e cívicas previstas, mas ainda não há um prazo estabelecido para a entrega das peças. Enquanto isso, a adaptação à nova rotina se faz presente, com os monitores de segurança, já em atividade nas unidades, auxiliando na transição e na promoção dos valores do programa.
Novo Ambiente: Valores Cívicos e Adaptação Pedagógica
Na Escola Estadual Professor Messias Gonçalves Teixeira, no Jardim Nova Aparecida, em Campinas, a percepção é de um ambiente em transformação. A coordenadora pedagógica, Maria do Carmo Fernandes, enfatiza que o foco pedagógico permanece no aprendizado dos alunos, sem alterações no Currículo Paulista, que continua a guiar as aulas de português, matemática e demais disciplinas. A abordagem cívica se manifesta de forma intrínseca, focando no comportamento, na educação, no respeito e na solidariedade, com a presença dos monitores de segurança para apoiar a disciplina, o acolhimento e a promoção desses valores. Não se trata de uma nova disciplina, mas de uma filosofia integrada ao cotidiano escolar, buscando moldar a conduta dos estudantes e da comunidade escolar.
Curiosidade Estudantil e Crescimento de Matrículas
Entre os estudantes, a curiosidade e a expectativa em relação às novas regras e à cultura cívico-militar são palpáveis. Gustavo Barbosa, de 14 anos, e Maria Eduarda Freitas, também de 14, expressaram o interesse pelas mudanças, que incluem desde a rotina de cantar o hino nacional e outros hinos pela manhã, até modificações no ambiente físico, como salas pintadas, e na organização dos intervalos. A diretora Elaine Procópio Prado, da Escola Messias Gonçalves Teixeira, destacou um aumento expressivo de 42% no número de matrículas este ano, evidenciando o interesse da comunidade. Diante desse crescimento, a equipe pedagógica está empenhada em conversar com os alunos e realizar reuniões com os pais, especialmente os dos novos estudantes, para alinhar expectativas e informar sobre as mudanças implementadas.
Marco Legal e Trajetória do Programa Estadual
O Programa Escola Cívico-Militar, embora prometido para 2025 e inicialmente barrado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), teve sua implementação autorizada pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no final de novembro de 2024. A iniciativa do governo paulista, que previa a conversão de pelo menos 45 escolas em sua primeira fase, foi precedida por três rodadas de consulta pública envolvendo toda a comunidade escolar. A Secretaria de Educação de SP assegura que os militares envolvidos no programa serão submetidos a avaliações periódicas por diretores e alunos, além de um processo semestral de avaliação de desempenho, garantindo a adaptação e a permanência de acordo com o modelo proposto. Paralelamente a esta nova fase, as escolas estaduais paulistas seguem em seu segundo ano da lei que proíbe o uso de celulares em sala de aula, reforçando a busca por um ambiente de maior foco no aprendizado.
A estreia das escolas cívico-militares na região de Campinas marca um período de transição e adaptação, onde a integração de valores cívicos e a presença de monitores militares se somam à estrutura pedagógica existente. Embora a aguardada chegada dos uniformes definitivos ainda esteja pendente, o entusiasmo dos alunos e o notável aumento nas matrículas indicam uma comunidade escolar aberta às novas propostas. Este início, focado em comportamento e disciplina, promete redefinir a experiência educacional para milhares de estudantes, equilibrando a busca pelo aprendizado acadêmico com a formação de cidadãos engajados e conscientes.
Fonte: https://g1.globo.com