Influenciador Acusa Academia de Recusa por Peso; Estabelecimento Nega Discriminação e Cita Falta de Estrutura

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O influenciador digital Júlio Otávio Miranda da Silva, conhecido como Júlio Mamute, que documenta sua jornada de emagrecimento para uma vasta audiência online, denunciou publicamente ter tido sua matrícula em aulas de natação recusada pela Academia Horizon, localizada em Santo André, na Grande São Paulo. Com um peso de 200 kg, Júlio acredita que a rejeição foi motivada por sua condição física, configurando um caso de discriminação. A academia, por sua vez, refuta veementemente as acusações, alegando que a decisão baseou-se em preocupações com a segurança do aluno devido à sua estrutura, e não em preconceito.

O Incidente na Academia e a Percepção do Influenciador

Júlio Mamute, de 35 anos, que já chegou a pesar 300 quilos e mantém uma rotina ativa de natação, musculação e caminhadas, relatou ter pago R$ 50 por uma aula-teste de natação na Academia Horizon. Ele descreve o local como um espaço com boa infraestrutura, piso antiderrapante e sem escadas, facilitando a acessibilidade. Durante a atividade aquática, a única dificuldade perceptível, segundo ele, foi na saída da piscina, que demanda um pouco mais de energia. No entanto, o influenciador afirmou ter deixado claro à equipe que isso não representava um problema para ele. A surpresa e a frustração vieram no dia seguinte, quando foi informado de que sua inscrição não poderia ser aceita, uma experiência de recusa inédita para ele em um estabelecimento do tipo.

Em sua defesa, a Academia Horizon emitiu um comunicado explicando que, durante a aula experimental, “ficaram evidentes dificuldades que comprometeriam a segurança na atividade”. A empresa reforçou que, após um diálogo transparente com o visitante, foi explicado que a continuidade da matrícula não seria possível no momento “sem riscos à integridade física do participante, considerando as condições atuais da nossa estrutura”. A academia salientou que a decisão não teve relação com preconceito, mas sim com responsabilidade e cuidado com a saúde e segurança do indivíduo.

Repercussão Digital e Desdobramentos Legais

O desabafo de Júlio Mamute nas redes sociais, onde ele conta com mais de 1,7 milhão de seguidores no Instagram e 915 mil no TikTok, rapidamente viralizou. Embora o influenciador não tenha citado o nome da academia em seu vídeo, seus seguidores conseguiram identificá-la pelas imagens. Diante da vasta repercussão, a Academia Horizon utilizou o Instagram para publicar sua nota de esclarecimento, reiterando os motivos de segurança e negando qualquer tipo de discriminação.

Paralelamente à mobilização nas redes, Júlio Mamute registrou um boletim de ocorrência (BO), expressando que se sentiu discriminado. O documento policial, registrado como “outros não criminal” no 4° Distrito Policial de Santo André, aponta que, embora não haja tipificação penal específica para o caso, a conduta da academia pode configurar uma “prática abusiva no âmbito das relações de consumo”. A Secretaria da Segurança Pública informou que a autoridade policial orientou Júlio a buscar a esfera cível para acionar a empresa e garantir seus direitos como consumidor, que vedam tratamento discriminatório e recusa injustificada de atendimento.

Apoio Institucional e Outras Acusações de Discriminação

Após o ocorrido, Júlio Mamute recebeu apoio significativo de autoridades municipais de Santo André. A Secretaria de Esporte e Prática Esportiva da cidade entrou em contato com o influenciador, oferecendo-lhe vagas nas unidades de práticas esportivas da prefeitura. Além disso, Carlos Secco, superintendente do Centro de Operações Integradas (COI) de Santo André, um órgão da prefeitura, acompanhou Júlio à delegacia e fez uma declaração pública. Em vídeo nas redes sociais, Secco classificou o episódio como “terrível discriminação” e afirmou que “nenhum tipo de preconceito será tolerado em Santo André”.

O caso de Júlio Mamute não parece ser isolado. Nos comentários de seu vídeo, a professora universitária Fernanda Paniz relatou ter enfrentado problemas similares na mesma Academia Horizon. Mãe de uma menina com Transtorno do Espectro Autista (TEA), nível 1 de suporte, Fernanda contou que, após uma aula-teste de natação de sua filha com outras crianças, foi informada de que seria necessário contratar um personal trainer exclusivo para a criança para que a matrícula fosse efetivada, levantando questões sobre a política de inclusão da academia para além da questão do peso.

O incidente envolvendo Júlio Mamute e a Academia Horizon acende um importante debate sobre acessibilidade, inclusão e os limites da responsabilidade de estabelecimentos comerciais no tratamento de seus clientes. Enquanto o influenciador busca reparação na esfera cível e encontra apoio em sua comunidade, a academia mantém sua posição de que agiu por prudência e segurança. O caso se torna um exemplo da complexidade de equilibrar as necessidades individuais com as capacidades estruturais e a importância de garantir que a discriminação não se disfarce sob outras justificativas, com o Código de Defesa do Consumidor servindo como baliza para esses conflitos.

Fonte: https://g1.globo.com

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