Uma situação de desespero familiar transformou-se em um testemunho de heroísmo em São Vicente, litoral de São Paulo. Na noite da última terça-feira, um bebê de apenas dois meses, que estava engasgado e já sem respirar, foi salvo por um socorrista do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), Adilson Pereira de Azevedo, de 39 anos. A singularidade do resgate reside no fato de que Adilson, mesmo fora de seu horário de serviço, não hesitou ao ser procurado pela família na base da corporação, protagonizando uma corrida contra o tempo que garantiu a vida do recém-nascido.
O Drama e a Resposta Imediata
O cenário de urgência desenrolou-se quando os pais, em pânico, chegaram à base do SAMU com o filho nos braços. A mãe havia acabado de alimentar o bebê, e o pequeno estava em estado crítico, com as vias aéreas obstruídas e já apresentando ausência de respiração. Percebendo a gravidade instantânea da situação, Adilson Pereira agiu com a rapidez e precisão de seu treinamento. Sem tempo para hesitação, ele aplicou imediatamente a manobra de Heimlich, um procedimento vital para desobstruir as vias respiratórias em casos de engasgo, revertendo o quadro em questão de segundos.
A Experiência Humana por Trás do Resgate
Apesar da brevidade da ação, Adilson descreve os momentos como uma eternidade de tensão e incerteza, onde cada instante era carregado de apreensão até a resposta salvadora. A emoção do profissional foi palpável, comparando o retorno da respiração do bebê ao renascimento da própria vida. Após o sucesso da manobra, o alívio tomou conta da família, que havia chegado em completo desespero. O choro, as lágrimas e o desabafo emocionados dos pais revelaram a intensidade do alívio e da gratidão, uma cena profundamente marcante para todos os presentes.
O Pós-Resgate e a Repercussão Clínica
Concluídos os primeiros socorros emergenciais na base, o bebê foi prontamente encaminhado ao Pronto-Socorro Central de São Vicente para uma avaliação médica completa. Lá, ele passou por uma série de exames clínicos, incluindo um raio-X de tórax, que confirmaram a ausência de quaisquer alterações ou sequelas decorrentes do engasgo. Recebendo alta médica, o recém-nascido pôde retornar para casa. A equipe hospitalar aproveitou a oportunidade para oferecer orientações essenciais à mãe sobre como identificar e agir diante de futuros sinais de perigo relacionados a engasgos, reforçando a importância da prevenção e do conhecimento em situações de emergência infantil.
Lições de um Profissional e um Pai
Com nove anos de dedicação ao SAMU, Adilson Pereira de Azevedo relembrou que esta foi a primeira ocasião em que precisou intervir fora de seu expediente profissional para salvar um recém-nascido. A responsabilidade, segundo ele, foi amplificada pela extrema fragilidade da vida em suas mãos. Mesmo diante do nervosismo inerente à situação, o socorrista enfatizou a importância de seguir rigorosamente as etapas de seu treinamento. O incidente se tornou ainda mais marcante em sua memória e em seu emocional devido à sua própria experiência como pai de filhos pequenos, o que lhe permitiu compreender profundamente o desespero e a angústia vividos pela família do bebê. Essa vivência reforçou, em sua percepção, o propósito e o imenso valor de sua profissão.
O resgate em São Vicente transcendeu a rotina de um profissional de saúde, tornando-se um poderoso lembrete da importância da prontidão, da perícia e da empatia em momentos críticos. A ação de Adilson Pereira de Azevedo não apenas salvou uma vida, mas também ilustrou como o compromisso com o próximo, mesmo fora das obrigações formais, pode fazer uma diferença inestimável, reafirmando o impacto positivo que profissionais como ele têm na comunidade.
Fonte: https://g1.globo.com