A determinação do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de estender o horário de votação até as 19h neste domingo (25) em todo o país, provocou uma onda de desorientação nas seções eleitorais de São Paulo. A medida, anunciada no final da tarde, pegou muitos mesários desprevenidos, que já haviam iniciado os procedimentos de encerramento, recolhendo urnas e desmontando cabines, gerando um cenário de confusão e incerteza para eleitores e equipes de trabalho.
Seções fechadas e mesários sem orientação clara
Em diversos pontos da capital paulista, a notícia da prorrogação contrastou drasticamente com a realidade operacional. No Colégio Fidelino de Figueiredo, localizado na Rua Imaculada Conceição, em Santa Cecília, mesários relataram que as seções foram fechadas pontualmente às 17h, conforme a instrução inicial. As urnas eletrônicas já haviam sido recolhidas e as cabines de votação, desmontadas, antes que qualquer nova diretriz chegasse aos responsáveis. Uma mesária local expressou a perplexidade da equipe: “Nós, mesários, vimos as informações na internet e aguardamos até as 17h. Quando deu 17h, perguntamos, e a pessoa responsável por aqui falou: 'Fechou, fechou'. E orientou para que todos fechassem [as urnas]”.
A situação de incerteza se estendeu para a Universidade Anhembi Morumbi, na Mooca, onde um mesário confirmou que, embora a votação em algumas seções continuasse, uma das urnas já havia sido fechada. A divergência de procedimentos e a falta de comunicação unificada evidenciaram a dificuldade de adaptar as operações em tempo real a uma decisão judicial de última hora.
O dilema dos mesários e o registro da intenção de voto
Diante do cenário de seções já encerradas, mas com a ordem de prorrogação vigente, os mesários e presidentes de seção foram instruídos a permanecer nos locais. No Colégio Fidelino de Figueiredo, a equipe ficou retida aguardando novas informações do cartório eleitoral, sem poder avaliar a chegada de eleitores que pudessem ter sido impactados pelo encerramento antecipado. “Não estão deixando ninguém sair. Mas não dá para saber se há eleitores para votar, porque estamos trancados no colégio”, relatou a mesária, destacando a natureza inusitada da situação.
Para seções que já haviam finalizado o recebimento de votos, a orientação do cartório eleitoral foi peculiar: caso um eleitor chegasse com a intenção de votar, essa informação deveria ser registrada em ata, mas os procedimentos de encerramento não deveriam ser revertidos. Além disso, os documentos finais não poderiam ser lacrados nos envelopes habituais até segunda ordem, um indício claro da tentativa de adaptação aos novos prazos e da necessidade de reavaliar a situação.
A decisão do STF e seus fundamentos
A decisão que gerou tal impacto foi proferida pelo ministro Cristiano Zanin após um pedido da coligação do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O pleito inicial solicitava a extensão do horário de votação em municípios que enfrentavam problemas de transporte público, afetando a chegada dos eleitores às suas seções.
A campanha do candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também havia protocolado um pedido semelhante junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao STF, solicitando a prorrogação em cidades de Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Contudo, a determinação de Zanin transcendia os pedidos específicos, estabelecendo a extensão do recebimento de votos por duas horas – até as 19h, horário de Brasília – em todas as seções eleitorais do Brasil. O ministro justificou a urgência e a amplitude da medida devido à gravidade dos fatos narrados e à necessidade de garantir o direito ao voto em nível nacional.
Impacto na totalização dos votos e para o eleitorado
Uma consequência imediata da prorrogação foi a paralisação da totalização dos votos, que já havia sido iniciada pelo TSE. A suspensão era necessária para aguardar o encerramento do novo prazo estabelecido, permitindo que todos os votos válidos fossem devidamente computados.
Até o momento da última atualização da reportagem, não havia informações concretas sobre o número exato de eleitores que poderiam ter sido prejudicados pelo encerramento antecipado de seções antes da decisão do STF ser efetivamente comunicada e implementada em campo. A disparidade entre a decisão judicial e a sua execução prática em milhares de locais de votação levantou questões sobre a agilidade da comunicação e a capacidade de adaptação em um processo eleitoral de tamanha magnitude.
Fonte: https://g1.globo.com