Caso Jordy Moura: Julgamento de Guarda Municipal em Campinas se Aproxima Após Seis Anos de Tramitação

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O processo que investiga a morte de Jordy Moura Silva, adolescente de 15 anos, ocorrida em Campinas, entrou em sua fase derradeira para o julgamento no Tribunal do Júri. Aproximadamente seis anos e meio após o trágico incidente, que chocou a cidade em abril de 2020, a Justiça determinou a intimação das partes envolvidas para a apresentação das testemunhas que deporão em plenário. Este procedimento crucial antecede a tão aguardada marcação da data do júri popular, reacendendo as esperanças da família por justiça.

Avanço Decisivo na Tramitação Judicial

Claudino Gonçalves, o guarda municipal acusado, que responde ao processo em liberdade, foi denunciado por homicídio qualificado. A acusação inclui também tentativa de homicídio, uma vez que o disparo fatal que atingiu Jordy Moura Silva também feriu seu irmão, Caique Andre Moura Santos, de 33 anos, que conduzia a motocicleta no momento do ocorrido. A determinação judicial mais recente, um ano e um mês após a decisão de levar o caso ao Júri, coloca o processo na fase de preparação conforme o artigo 422 do Código de Processo Penal, onde Ministério Público e defesa indicam suas testemunhas e solicitam diligências complementares. Atualmente, a defesa do guarda municipal dispõe de um prazo de cinco dias para se manifestar, abrindo caminho para a definição da data do julgamento pela juíza responsável.

O Anseio da Família por Justiça, Não Vingança

Para a família de Jordy Moura Silva, a movimentação no processo, que se arrasta há anos, é um misto de esperança e angústia. Caique Andre Moura Santos, irmão da vítima, expressa o sentimento de todos: “Muitas pessoas perguntaram para a gente: 'vocês querem vingança?' Não, a gente nunca quis vingança. A gente veio de família boa, todo mundo trabalhador, todo mundo família. O que a gente anseia mesmo é justiça.” A fala de Caique reflete a busca por uma resolução legal e transparente, que traga paz a uma família marcada pela perda.

Estratégia da Acusação e Provas Contundentes

O advogado da família de Jordy e assistente da acusação, Salvador Scarpelli Neto, detalha que a tramitação do caso, apesar de longa, seguiu o rito esperado para um processo complexo. Ele relembra que a defesa havia recorrido da decisão que remetia o caso ao Tribunal do Júri. Agora, a acusação pretende solicitar celeridade na marcação do julgamento, justificando a urgência pela gravidade do caso e pelo fato de envolver um agente de segurança pública em exercício da função. A expectativa da acusação é de condenação, fundamentada em provas que, segundo o advogado, demonstram que o guarda municipal disparou contra a motocicleta. Testemunhas visuais teriam presenciado o tiro ser efetuado da viatura, e exames periciais, como o residográfico, atestaram que Jordy não portava arma nem realizou disparos, contrariando as versões iniciais que buscavam criminalizar o adolescente.

Relembrando o Incidente de 2020: Disparos e Controvérsias

A tragédia ocorreu no bairro Reforma Agrária, em abril de 2020, após a Guarda Municipal ser acionada para atender a uma denúncia de motociclistas empinando motos em uma área de obras. Jordy foi atingido nas costas enquanto estava na garupa de uma moto pilotada por seu irmão. Inicialmente, a Guarda Municipal alegou ter sido recebida a tiros, versão que foi veementemente contestada por um jovem que integrava o grupo de motociclistas. Em depoimento à EPTV, afiliada da TV Globo, a testemunha afirmou que os guardas efetuaram tiros para o alto e, em seguida, dispararam “praticamente à queima-roupa” contra o adolescente que tentava fugir. Claudino Gonçalves chegou a ser preso em flagrante no dia do homicídio, mas foi liberado no dia seguinte, em audiência de custódia, apesar dos esforços do Ministério Público para reverter a soltura.

A Polícia Civil ouviu nove testemunhas no auto de prisão, enquanto o guarda permaneceu em silêncio. Paralelamente ao processo criminal, a Secretaria de Segurança Pública de Campinas informou que o procedimento administrativo relacionado ao guarda municipal continua em tramitação na Corregedoria da Guarda Municipal, correndo sob sigilo. A defesa do acusado não foi localizada pela reportagem para comentários.

A Próxima Etapa: O Tribunal do Júri

A fase atual representa um marco crucial na longa jornada por justiça. A expectativa é que, após a apresentação das testemunhas e eventuais requerimentos, a data do julgamento seja finalmente marcada, colocando o destino do guarda municipal nas mãos dos jurados. Este desfecho é aguardado com grande apreensão por todos os envolvidos, em um caso que levanta importantes discussões sobre a atuação policial, a responsabilidade de agentes de segurança pública e o direito fundamental à justiça para as vítimas e suas famílias.

Fonte: https://g1.globo.com

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