O judô brasileiro celebrou um marco significativo no cenário internacional ao erguer o troféu de campeão geral do Grand Prix de Lima, no Peru. Encerrada no domingo (16), a competição viu a equipe nacional liderar com folga o quadro de medalhas, consolidando o que já é considerado o melhor desempenho do ano para a modalidade no país.
O Domínio Brasileiro no Quadro de Medalhas
O êxito da delegação brasileira foi traduzido em um impressionante total de <b>11 medalhas</b>, composto por cinco ouros, duas pratas e quatro bronzes. Essa performance superou as expectativas e distanciou o Brasil dos demais concorrentes no torneio. A Itália conquistou o segundo lugar com um total de oito medalhas (dois ouros, duas pratas e quatro bronzes), seguida pela Moldávia, que garantiu cinco pódios (dois ouros, duas pratas e um bronze), evidenciando a superioridade brasileira na disputa geral.
Ouros Estratégicos e Momentos Decisivos
As cinco medalhas de ouro foram distribuídas ao longo dos três dias de competição, com destaque para o domingo, quando a equipe brasileira garantiu dois de seus títulos mais importantes. Rafael Macedo brilhou na categoria até 90 quilos, sagrando-se campeão ao superar o moldavo Mihail Latisev com dois waza-aris. Este triunfo teve um sabor especial de revanche para Macedo, que havia sido derrotado pelo mesmo adversário na disputa pelo bronze no Grand Slam de Astana, em maio.
No mesmo dia, a campeã olímpica Beatriz Souza subiu ao lugar mais alto do pódio na categoria 78 kg. A conquista veio após um ippon decisivo contra a italiana Asya Tavano, marcando a quarta vitória da brasileira sobre a oponente em cinco confrontos, incluindo um duelo crucial na disputa por equipes em Paris 2024.
Os primeiros ouros vieram na sexta-feira (14), dia de abertura, com Michel Augusto vencendo na categoria abaixo dos 60 kg e Rafaela Rodrigues, aos 19 anos, conquistando sua primeira medalha de ouro em etapas de Grand Prix na categoria 52 kg. No sábado, David Lima adicionou mais um ouro à conta brasileira, triunfando nos 81 kg ao derrotar o canadense Françoise Drapeau, atual vice-líder do ranking mundial, por yuko.
Pódios Adicionais: Pratas e Bronzes Completam o Sucesso
Além dos ouros, o Brasil garantiu importantes medalhas de prata e bronze, solidificando sua liderança no quadro geral. A única prata da delegação foi conquistada por Nauana Silva na categoria 70 kg, que, após uma campanha consistente, foi superada na final pela alemã Dena Pohl no sábado (15).
As quatro medalhas de bronze demonstraram a profundidade do talento brasileiro. Três delas foram obtidas no último dia de competição: Guilherme Schimidt superou o canadense Keagan Young nos 90 kg; Leonardo Gonçalves levou a melhor sobre seu compatriota Giovani Ferreira em um duelo totalmente brasileiro na categoria 100 kg; e Thauana Silva, irmã de Nauana, assegurou o bronze nos 78 kg ao vencer a venezuelana Karen Leon.
Anteriormente, no sábado, Guilherme de Oliveira havia conquistado o bronze nos 73 kg em outro confronto nacional, vencendo o medalhista olímpico Daniel Cargnin por ippon no golden score. Na sexta-feira, Jéssica Lima também subiu ao pódio com um bronze nos 57 kg, após derrotar a britânica Acelya Toprak na disputa pelo terceiro lugar, vindo de uma semifinal desafiadora contra a espanhola Adriana Rodríguez Salvador.
A Voz da Vitória: Beatriz Souza e a Estratégia da Equipe
Refletindo sobre o sucesso coletivo, a campeã olímpica Beatriz Souza enfatizou a importância do trabalho em equipe e da constante evolução. “Isso é um resultado do que a gente vem construindo no dia a dia. Tem uma equipe junto comigo, não estou fazendo isso sozinha”, declarou Souza ao site da Confederação Brasileira de Judô (CBJ). Ela também destacou a necessidade de adaptação estratégica: “A Haz [Asya Tavano] é uma grande adversária, nosso último confronto foi na Olimpíada, evoluímos bastante, então precisei mudar minha estratégia”, revelou a judoca, ilustrando a dedicação e o planejamento por trás de cada vitória.
Perspectivas Futuras para o Judô Nacional
O desempenho no Grand Prix de Lima reforça a posição do Brasil como uma potência no judô mundial, com atletas em diversas categorias demonstrando alto nível técnico e tático. O título geral não apenas coroa meses de treinamento intenso e preparação meticulosa, mas também projeta o judô brasileiro com grande otimismo para os próximos desafios internacionais e o ciclo olímpico, consolidando a nação como um competidor formidável em palcos globais.