Do Campo de Batalha à Copa Mundial da Panificação: A Incrível Jornada de Pablo Assunção

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A trajetória de Pablo Assunção, um brasileiro de 36 anos, desafia as convenções, entrelaçando a disciplina militar de elite com a arte delicada da panificação. Após uma década servindo em missões sigilosas da Legião Estrangeira Francesa, ele trocou a farda pela farinha, transformando-se em padeiro e confeiteiro. Atualmente radicado em Washington, nos Estados Unidos, Pablo não apenas reinventou sua vida profissional, mas também brilhou nos holofotes internacionais ao representar o Brasil na prestigiada Copa do Mundo da Panificação, mantendo vivo o sonho de um dia inaugurar sua própria padaria em Santos, litoral paulista.

De Campos Brasileiros à Legião Estrangeira Francesa

A jornada de Pablo rumo ao serviço militar começou cedo em solo brasileiro. Nascido em Cubatão e com passagens por São Vicente e Santos durante a infância e adolescência, ele iniciou sua carreira no Exército Brasileiro em Praia Grande, posteriormente atuando como bombeiro na usina siderúrgica da Usiminas, em Cubatão. O ponto de virada, contudo, ocorreu por acaso. Durante uma folga, um encontro fortuito com um amigo que tentava ingressar na Legião Estrangeira Francesa despertou em Pablo uma nova perspectiva e a chance de uma transformação radical em sua vida.

Em 2014, após superar uma série de testes rigorosos, Assunção foi aceito na Legião Estrangeira, uma força militar renomada e aberta ao recrutamento de estrangeiros, parte integrante do exército francês. Sua dedicação e disciplina foram reconhecidas, culminando em sua naturalização francesa após quatro anos de serviço. Embora muitos detalhes de sua atuação na Legião permaneçam confidenciais devido a juramentos, ele destaca a rigidez, a disciplina exemplar e as oportunidades de crescimento que essa experiência única, em um dos exércitos mais respeitados do mundo, lhe proporcionou.

A Transição para o Mundo da Panificação

Após uma década de serviço dedicado à Legião Estrangeira, Pablo decidiu buscar um novo capítulo para sua vida, impulsionado por um desejo constante de mudança e aprendizado. A inspiração para a panificação surgiu de uma fonte inesperada: seu irmão mais novo, que já atuava na área. Essa nova paixão o levou a se matricular e formar como 'boulanger' (padeiro) e 'patissier' (confeiteiro) em uma das mais renomadas instituições francesas, a escola Christian Vabret.

A transição de Pablo foi significativamente apoiada pela própria Legião Estrangeira Francesa, que oferece um programa de reintegração e plano de carreira para soldados que desejam seguir novas profissões. Esse suporte financeiro para sua formação em panificação foi, segundo ele, uma das maiores ajudas de sua vida, validando os dez anos de serviço com todas as suas dificuldades e reforçando o valor de sua dedicação.

Conquistando o Palco Mundial da Panificação

Durante seus estudos na França, Pablo descobriu a existência da Copa do Mundo de Panificação, realizada em Paris, e notou que o Brasil não participava da competição há uma década. Essa lacuna acendeu nele uma determinação inabalável, levando-o a prometer ao criador do evento que retornaria com uma equipe brasileira. O plano começou a tomar forma ao se unir ao chef Fernando de Oliveira, que já havia sido o precursor da participação brasileira em 2016, a última vez que o país se classificara para uma final.

Com muito esforço e dedicação, a equipe brasileira, sob a liderança de Assunção, conseguiu a qualificação e competiu na final, que contava com dez países. Mesmo enfrentando desafios consideráveis em comparação com outras nações, onde padeiros de elite são tratados como atletas com amplo apoio moral e financeiro, a equipe do Brasil alcançou a respeitável 8ª colocação. A Coreia do Sul foi a grande vencedora da edição, mas a participação brasileira já era uma vitória em si, marcando o retorno do país ao cenário global da panificação competitiva.

Refletindo sobre a experiência, Pablo enfatiza o 'sufoco' enfrentado, mas reitera que valeu a pena cada esforço. A competição foi a maior experiência de sua vida, proporcionando-lhe o privilégio de estar ao lado dos melhores do mundo, superando adversidades e consolidando o aprendizado de uma década na Legião. A homenagem a Santos Dumont durante o evento simbolizou a união de sua pátria de origem com a excelência técnica que ele buscava.

O Futuro: Um Sonho Doce em Santos

Tendo vivido diversas 'vidas em uma só', Pablo Assunção continua sua jornada de conquistas. Embora atualmente resida e trabalhe nos Estados Unidos, seus olhos estão fixos em um objetivo maior e mais pessoal: retornar a Santos, sua cidade do coração, e concretizar o sonho de abrir sua própria padaria. Ele almeja compartilhar todo o conhecimento e as técnicas apuradas ao longo de suas experiências internacionais, transformando sua paixão pela panificação em um legado para sua terra natal e um novo capítulo em sua notável trajetória de reinvenção.

Fonte: https://g1.globo.com

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