O Aterro do Flamengo, cenário de incontáveis eventos marcantes na capital fluminense, transformou-se em um vibrante centro de aprendizado e integração para mais de quatro mil membros do movimento escoteiro neste domingo (26). O Grande Jogo Regional 2026, considerado o ápice do calendário escoteiro no estado do Rio de Janeiro, reuniu 4.372 crianças, adolescentes, jovens e adultos, todos filiados à União dos Escoteiros do Brasil Regional Rio de Janeiro (UEB-RJ), em uma celebração que transcendeu a simples reunião, enaltecendo os valores do escotismo e a formação cidadã. O evento, que historicamente ocupa o Aterro do Flamengo desde a década de 1980, integra as festividades da Semana Escoteira e do Dia Mundial do Escotismo, comemorado no último dia 23.
A Dinâmica do Grande Jogo: Educação em Ação
Sob a liderança de Edinilson Régis, diretor-presidente da Regional RJ da UEB, o Grande Jogo Regional se configura como uma jornada pedagógica intensa, projetada para engajar participantes com idades entre 5 e 22 anos. A metodologia escoteira, fundamentada no trabalho em equipe, na cooperação mútua e no protagonismo juvenil, é aplicada através de um percurso repleto de desafios. Durante o dia, os escoteiros demonstraram conhecimentos prévios e adquiriram novas habilidades em atividades que exigiram criatividade, raciocínio lógico e até mesmo noções de primeiros socorros. Iniciadas por volta das 9h e estendendo-se até as 15h, as dinâmicas culminaram em uma concentração final, onde os resultados e aprendizados foram compartilhados, reforçando o espírito de união e conquista.
Escotismo: Uma Proposta de Educação Não Formal e Integral
A essência do escotismo, conforme explicado por Edinilson Régis, reside na sua classificação como uma modalidade de educação não formal e complementar. Diferenciando-se do ensino tradicional, o movimento alia atividades práticas, a imersão na natureza e a vivência em grupo, promovendo o conceito do “aprender fazendo”. Essa abordagem capacita crianças e jovens a serem agentes ativos de seu próprio desenvolvimento e transformadores em suas comunidades. Os princípios fundamentais abraçam a consciência ambiental, a cidadania ativa e o desenvolvimento físico, com o objetivo de construir indivíduos conscientes de suas capacidades e limitações. A progressão se dá por meio de “ramos” – Lobinho e Filhote para os menores, com foco no lúdico e em histórias, evoluindo para o ramo escoteiro, onde jovens experimentam acampamentos, cozinham, organizam seus materiais, cultivando independência e respeito ao próximo.
Vozes do Movimento: Impacto na Formação Cidadã
O impacto do movimento escoteiro reverbera nas experiências de seus membros e suas famílias. Ellisiane Pereira, administradora de 47 anos e mãe de Carlos Henrique, escoteiro há três anos no Grupo Escoteiro Copacabana, testemunha uma “evolução gritante” no filho, atribuindo ao movimento a aquisição de competências essenciais para um cidadão funcional e um forte senso de acolhimento familiar. Gabriel Handl, educador no Grupo Escoteiro Copacabana há uma década, reforça que as atividades transcendem o acampamento e a vida ao ar livre, visando primordialmente a formação de “pessoas boas para o mundo”. Bernardo Tavares de Sá, de 17 anos e sete de escotismo no Grupo Escoteiro Marechal Castelo Branco, destaca a construção de amizades, o desenvolvimento da liderança e seu crescimento pessoal como fatores cruciais, sem dúvida, contribuídos pelo movimento.
Os Pilares Éticos: Promessa e Lei Escoteira
A base moral e ética do escotismo é solidamente estabelecida na Promessa e na Lei Escoteira, guias universais para a conduta de seus participantes. A Promessa instiga o compromisso de fazer o melhor para cumprir deveres para com Deus (em uma concepção que abrange todas as religiões), para com a pátria e para com o próximo em todas as circunstâncias, além de obedecer à Lei Escoteira. Esta, por sua vez, é composta por dez artigos que delineiam princípios basilares como lealdade, altruísmo, pureza de propósitos, bondade para com os animais e plantas, e a valorização da amizade. Tais preceitos são intrínsecos ao método educativo, cultivando um caráter íntegro e promovendo o desenvolvimento de valores universais em cada escoteiro, preparando-os para os desafios da vida em sociedade.
O Grande Jogo Regional 2026 no Rio de Janeiro não foi apenas um encontro de milhares de pessoas, mas uma demonstração vívida da relevância contínua do movimento escoteiro na formação de cidadãos conscientes, responsáveis e engajados. Através de uma metodologia que valoriza a prática, a convivência e a ética, o escotismo se reafirma como um pilar fundamental na construção de uma sociedade mais justa e solidária, preparando jovens para serem líderes e agentes de transformação em seus ambientes e no mundo.