A cidade de Porangaba, no interior de São Paulo, enfrenta um cenário desafiador com a recorrente interrupção no fornecimento de energia elétrica. Moradores e comerciantes da região têm convivido com quedas frequentes, explosões em fiações e a consequente queima de equipamentos, acumulando prejuízos materiais e um profundo sentimento de desamparo. A situação tem gerado indignação e levantado questionamentos sobre a qualidade do serviço prestado pela concessionária local.
A Rotina Interrompida: Relatos de Quem Sente na Pele
A instabilidade energética tem sido uma constante na vida dos porangabenses. Isabela Felipe Peres, proprietária de uma academia no Jardim Bela Vista, é um exemplo contundente dos impactos diretos. Ela relatou à reportagem que, em 13 de maio, a energia de seu estabelecimento e de toda a Rua Vereador João Batista Mendes foi cortada após um curto-circuito em um poste próximo – um incidente que, segundo ela, já ocorreu três vezes no mesmo local. Anteriormente, há dois anos, um apagão similar resultou na queima de seis esteiras de sua academia, causando um prejuízo considerável, que a concessionária atribuiu, na época, a um possível problema interno.
A rotina de interrupções também afeta Clacir de Oliveira, morador da Rua Coronel Joaquim Miranda, que detalha um padrão de apagões noturnos. Ele registrou quedas em 7, 14 e 21 de março, além da mais recente em 13 de maio, com a energia retornando apenas após várias horas. Clacir descreve que, em muitos casos, as interrupções são precedidas por explosões e o surgimento de fogo nos fios elétricos. Em 2023, sua televisão foi um dos aparelhos danificados por esses problemas. A concessionária já teria apontado a necessidade de poda de uma árvore como solução para estabilizar o serviço em sua rua.
Corroborando os relatos, o empresário João Antônio Theodoro Vieira de Oliveira, residente na Rua Coronel Joaquim Miranda da Silva, reforça que os problemas são generalizados na região, e a concessionária ainda não conseguiu identificar a causa raiz das falhas, mesmo após o incidente mais recente de 13 de maio. Essa falta de clareza e solução definitiva intensifica a frustração dos moradores.
Prejuízos Acumulados e a Busca por Respostas
Os danos materiais se acumulam para os moradores de Porangaba. Desde equipamentos de academia, como as esteiras de Isabela, até eletrodomésticos básicos como a televisão de Clacir, a queima de aparelhos elétricos representa um fardo financeiro significativo para as famílias e empresas. Além do custo da reposição, há o inconveniente da perda da funcionalidade de itens essenciais para o dia a dia e para a operação comercial, impactando diretamente a qualidade de vida e a capacidade produtiva local.
A falta de uma solução duradoura para as falhas no fornecimento de energia gera um desgaste contínuo e uma sensação de impotência entre os afetados. Moradores expressam que, apesar das reclamações frequentes direcionadas à Neoenergia Elektro, a concessionária responsável, as ações corretivas parecem ser insuficientes ou ineficazes. A ausência de retorno da empresa aos questionamentos da reportagem do g1 apenas reforça a percepção de uma lacuna na comunicação e na resolução dos problemas.
Direitos do Consumidor: Como Solicitar Ressarcimento por Danos
Diante dos prejuízos causados pelas interrupções de energia, é fundamental que os consumidores conheçam seus direitos. As normas para ressarcimento de danos em equipamentos elétricos são estabelecidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A solicitação deve ser encaminhada diretamente à concessionária de energia, que tem o dever de analisar os casos e, se comprovado o nexo causal, efetuar o reparo ou o pagamento dos danos.
A Aneel orienta que o consumidor possui um prazo de até cinco anos, a partir da data do incidente, para protocolar o pedido de reembolso por equipamentos danificados. Após a solicitação, a distribuidora tem prazos específicos para a vistoria: um dia útil para aparelhos essenciais, como aqueles que armazenam alimentos perecíveis ou medicamentos, e até dez dias para os demais equipamentos. Essas diretrizes visam proteger o consumidor e garantir que os prejuízos sejam minimizados de forma eficiente e justa.
A população de Porangaba clama por uma resolução definitiva para o problema crônico das quedas de energia. Enquanto a concessionária não apresenta soluções eficazes, os moradores continuam a contabilizar perdas e a buscar informações sobre como exercer seus direitos. A situação evidencia a urgência de investimentos em infraestrutura e a necessidade de maior transparência e agilidade na comunicação e atendimento aos consumidores.
Fonte: https://g1.globo.com