A Burocracia Surreal: Comerciante de Ribeirão Preto Luta para ‘Reviver’ após Ser Declarado Morto no SUS

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Em um episódio que mistura o insólito e o frustrante, o comerciante Guelfo de Favari Júnior, de 62 anos, viu-se em uma situação digna de ficção ao descobrir que, para o Cadastro Nacional de Usuários do Sistema Único de Saúde (CadSUS), ele estava oficialmente 'morto' desde o final de 2024. A surpreendente revelação veio à tona na última quarta-feira, em Ribeirão Preto (SP), enquanto ele tentava retirar medicamentos essenciais para sua saúde no programa Farmácia Popular. A incredulidade de Júnior resumiu a perplexidade: "Como eu poderia estar morto? (…) É constrangedor, eu estou passando por cuidados médicos, para não passar tanto constrangimento. E está acontecendo isso aí", desabafou, diante da falha burocrática que transformou sua rotina em uma odisseia.

O Início da Confusão: Um Registro de Óbito com Consequências Inesperadas

A origem do erro catastral parece residir em um evento familiar ocorrido em dezembro de 2024. Naquela ocasião, o pai do comerciante, Guelfo de Favari, veio a falecer, e foi Júnior quem assumiu a responsabilidade de registrar o óbito nos órgãos competentes. Segundo seu relato, enquanto lidava com a papelada para dar baixa no cadastro de seu pai, cujo nome era idêntico ao seu, exceto pelo sufixo "Júnior", uma falha no sistema teria levado à desativação de sua própria identidade no SUS. Ele detalha: "Ele [o pai] faleceu no dia 4 de dezembro de 2024 e eu entrei com a documentação do óbito no cartório dia 16. No dia 15, eles me cortaram, trocaram tudo". Curiosamente, durante todo o ano de 2025, o comerciante continuou a adquirir seus remédios sem qualquer impedimento, completamente alheio ao equívoco que já o considerava falecido no sistema de saúde.

A Descoberta Chocante na Farmácia Popular

A verdade veio à tona de forma abrupta. Júnior, que lida com arritmia e pressão alta, necessita de tratamento contínuo com medicamentos fornecidos pela Farmácia Popular. Ao se dirigir a um estabelecimento na fatídica quarta-feira para retirar suas doses, foi surpreendido pela informação de que seu cadastro no SUS estava desativado. O motivo, conforme a tela do computador da farmácia, era inequívoco: "o CPF informado está cancelado por óbito no Cartão Nacional da Saúde". A consternação foi imediata. O comerciante tentou explicar a homonímia com seu pai, sugerindo que a equipe responsável pelo registro de óbito do genitor inadvertidamente cancelou seu próprio nome, confundindo as identidades no sistema. A cena no balcão da farmácia se tornou o palco de uma das mais bizarras experiências burocráticas de sua vida.

O Impacto Pessoal e a Luta por Resolução

O impacto da notícia reverberou além do próprio Guelfo. Sua esposa, Sandra Valéria Souza, descreveu a situação com um misto de espanto e humor irônico. "Chega a ser engraçado isso, porque sou uma viúva de marido vivo. Ele chegou aqui em casa apavorado. Eu fui com ele na farmácia para confirmar realmente, e o farmacêutico falou: ‘não, está suspenso seu CadSUS por conta que você está morto’", relatou Sandra. Diante da surrealidade do caso e da necessidade urgente de ter seu status de 'vivo' restaurado, Júnior iniciou uma incansável busca por respostas e soluções. Ele procurou diversos órgãos da Secretaria Municipal de Saúde, mas, para sua frustração, não obteve êxito em resolver o problema. Sem alternativa e sentindo-se desamparado pela ineficiência administrativa, o comerciante registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil e já manifestou a intenção de acionar a Justiça, na esperança de que um recurso legal possa desatar o nó burocrático que ninguém soube explicar.

A Posição dos Órgãos Oficiais e a Correção Tardía

Após a repercussão do caso e a busca de explicações pelas autoridades, o Ministério da Saúde reconheceu a falha no cadastro de Guelfo de Favari Júnior no Sistema Único de Saúde. Em resposta, a pasta informou que a situação havia sido corrigida, atestando o restabelecimento do status de vida do comerciante em seus registros. Complementarmente, a Secretaria da Saúde de Ribeirão Preto também se manifestou, afirmando que os dados cadastrais do paciente estavam agora corretos, após a formalização da reclamação. Embora a correção tenha sido efetuada, o episódio destaca as falhas nos sistemas de gestão e o constrangimento e transtornos que erros administrativos podem causar na vida dos cidadãos, evidenciando a necessidade de maior rigor e humanização nos processos burocráticos de serviços públicos essenciais.

Fonte: https://g1.globo.com

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