O jornalista Fernando Busian, integrante da equipe de comunicação do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), registrou uma queixa formal na Delegacia de Crimes Cibernéticos da Polícia Civil de São Paulo. A denúncia se refere a uma série de ameaças e atos de perseguição digital que Busian tem sofrido desde a última quarta-feira (25). Ele interpreta os incidentes como claros atos de violência política, impulsionados por um discurso que ele classifica como de extrema-direita.
Detalhes da Perseguição e Táticas de Intimidação Utilizadas
A onda de ataques contra Fernando Busian teve início logo após o envio de um comunicado à imprensa. O texto, que abordava a recente mudança no comando da Federação PSOL-Rede, foi distribuído para uma extensa lista de 1,7 mil destinatários em diversas partes do país. Pouco tempo depois do disparo do e-mail, o jornalista começou a receber mensagens com teor incomum, incluindo orçamentos e informações sobre cemitérios e serviços funerários. A situação escalou com a criação de um perfil falso em seu nome na plataforma GetNinjas, conhecida por conectar prestadores de serviços, o que resultou em mais propostas para serviços fúnebres e de segurança. Busian relata que a estranha combinação de mensagens sobre cemitérios e a oferta de serviços de segurança acendeu um imediato sinal de alerta para a gravidade da situação.
O nível das ameaças se intensificou ainda mais na quinta-feira (26), quando o jornalista recebeu mensagens anônimas via WhatsApp que faziam referências explícitas à sua região de moradia e mencionavam o nome de sua mãe, com uma das mensagens questionando: "Ela sabe que o filho dela é um lixo?". Fernando Busian reforça que sua atuação profissional junto ao PSOL é a provável motivação política por trás da perseguição. Ele enfatiza que, apesar de trabalhar para o partido, não é um militante filiado, mas um profissional com credibilidade e trânsito na imprensa, tendo atuado para diversas tendências políticas.
Reação Institucional e Ações Legais em Andamento
Diante da gravidade dos fatos, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) emitiram uma nota conjunta. As entidades manifestaram solidariedade e repudiaram veementemente os ataques, classificando o episódio como "gravíssimo" por envolver ameaças de morte que se estendem aos familiares do jornalista, além de indicativos de vigilância e vazamento de dados pessoais. Ambas as organizações se comprometeram a oferecer todo o apoio necessário a Fernando Busian e a exigir das autoridades competentes uma rigorosa investigação. O foco da cobrança é a apuração dos crimes virtuais e do uso indevido de informações privadas, visando a identificação e punição dos responsáveis. O registro oficial da ocorrência foi formalizado na Delegacia de Crimes Cibernéticos de São Paulo na segunda-feira (30), dando início às apurações policiais.
O Cenário da Violência Contra Profissionais de Imprensa no Brasil
O caso de Fernando Busian se insere em um contexto mais amplo de violência e intimidação contra jornalistas no Brasil. O último relatório da Fenaj revelou que, em 2024, foram contabilizados 144 ataques contra esses profissionais. Embora esse número represente uma diminuição em comparação com anos anteriores, ainda é motivo de grande preocupação. O auge desses ataques foi registrado em 2021, durante o período da pandemia de covid-19 e o governo de Jair Bolsonaro, quando foram documentados um recorde de 430 casos. Em 2023, o total de ocorrências havia caído para 181. A persistência das ameaças à segurança de jornalistas e a violação de seus dados pessoais reforçam a urgência de garantir a liberdade de imprensa e a proteção desses profissionais, especialmente em um ambiente de intensa polarização política e digital.
A apuração detalhada das ameaças contra Fernando Busian é fundamental para salvaguardar a liberdade de expressão e a segurança dos profissionais de imprensa no país. As autoridades de São Paulo prosseguem com a investigação do caso, enquanto a comunidade jornalística permanece vigilante, aguardando respostas sobre a identificação e responsabilização dos autores, bem como medidas eficazes para coibir tais práticas. A reportagem tentou contato com a plataforma GetNinjas e aguarda posicionamento.