Morte de PM Gisele: Depoimento e Laudos Forenses Contradizem Hipótese de Suicídio

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A trágica morte da policial militar Gisele Alves Santana, encontrada com um tiro na cabeça em seu apartamento no dia 18 de fevereiro, ganhou novos e complexos contornos. Inicialmente reportado como suicídio pelo seu então marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Neto, que estava no local, a investigação da Polícia Civil agora se aprofunda com revelações que lançam sérias dúvidas sobre essa versão. Um depoimento crucial do ex-companheiro da vítima, somado a laudos necroscópicos detalhados, sugere que a realidade por trás da morte de Gisele pode ser bem diferente do que se apresentou inicialmente.

Depoimento Chave Contesta Cenário de Suicídio

O ex-companheiro de Gisele, com quem ela teve uma filha, prestou depoimento à Polícia Civil na última sexta-feira (13), fornecendo informações que desafiam a narrativa inicial. Segundo o advogado da família da vítima, José Miguel da Silva Junior, o depoente descreveu Gisele como uma mulher sem qualquer tendência suicida. Ele ressaltou que a policial estava em processo de buscar uma separação do tenente-coronel Geraldo Leite Neto, tendo inclusive tentado alugar um imóvel e, posteriormente, planejado retornar à casa dos pais. O advogado enfatizou que a relação de Gisele com seu ex-marido era boa e que ela jamais o havia agredido.

Um aspecto particularmente sensível do depoimento foi a revelação de que a filha de Gisele e seu ex-companheiro demonstrava um intenso medo ou pavor de permanecer na residência com o então marido da policial. Essa informação, considerada relevante pelo advogado, acrescenta uma camada de preocupação ao ambiente doméstico em que Gisele vivia e onde sua morte ocorreu, levantando questões sobre a dinâmica familiar e o bem-estar da criança.

Laudos Cadavéricos Revelam Sinais de Violência

Paralelamente ao depoimento que contesta a premissa de suicídio, os laudos necroscópicos do Instituto Médico Legal (IML) trouxeram à tona evidências físicas de violência. O laudo mais recente, datado de 7 de março e realizado após a exumação do corpo de Gisele, apontou a presença de lesões contundentes na face e na região cervical da vítima. Essas lesões foram descritas como resultado de pressão digital e escoriações compatíveis com estigma ungueal, ou seja, marcas deixadas por unhas.

É crucial destacar que a menção a lesões na face e no pescoço, especificamente na lateral direita, não é uma descoberta recente. O laudo necroscópico inicial, datado de 19 de fevereiro – apenas um dia após a morte de Gisele –, já registrava a existência dessas marcas. A consistência dos achados entre os dois relatórios reforça a gravidade das lesões e a necessidade de aprofundamento na investigação sobre como elas foram infligidas e sua possível relação com as circunstâncias que antecederam a morte da policial.

Novos Rumos na Investigação

A combinação do testemunho do ex-companheiro, que descredita a hipótese de Gisele ter tendências suicidas e revela seu desejo de separação, com as evidências de lesões corporais detectadas pelos laudos periciais, direciona a investigação para longe da tese inicial de suicídio. A Polícia Civil agora examina com maior rigor as circunstâncias da morte da policial militar, considerando a possibilidade de um cenário que envolva violência e um desfecho diferente do que foi inicialmente comunicado às autoridades. O caso segue sob análise, com a expectativa de que as novas informações ajudem a esclarecer de forma definitiva os fatos que levaram à trágica perda de Gisele Alves Santana.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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