O Brasil encerrou sua campanha na edição de Milão-Cortina dos Jogos Paralímpicos de Inverno, marcando uma participação sem precedentes na história do paradesporto nacional. A delegação, a maior já enviada a um evento deste porte, com oito atletas, celebrou um marco inédito: a conquista da primeira medalha brasileira em uma Paralimpíada de Inverno. Este feito notável sublinha a crescente força e dedicação dos atletas do país em modalidades de neve e gelo.
O Brilho da Prata de Cristian Ribera e o Recorde de Atletas
O momento mais aguardado e celebrado veio com a performance espetacular do rondoniense Cristian Ribera. Competindo na categoria sentada do esqui cross-country, Ribera conquistou a medalha de prata na prova de sprint (um quilômetro), eternizando seu nome como o primeiro medalhista paralímpico de inverno do Brasil. Essa conquista não só eleva o perfil do atleta, radicado em Jundiaí (SP), mas também projeta os esportes de inverno paralímpicos brasileiros para um novo patamar de reconhecimento internacional.
A delegação recorde, composta por oito talentos, foi um testemunho do investimento e do desenvolvimento contínuo do esporte adaptado no Brasil, sinalizando um futuro promissor para a presença do país nas futuras edições dos Jogos Paralímpicos de Inverno.
Desempenho Notável nas Provas de Esqui Cross-Country e Biatlo
A campanha brasileira foi coroada com a disputa da desafiadora prova de 20 quilômetros do esqui cross-country, realizada na pista de neve da cidade de Tesero. Seis atletas brasileiros estiveram na largada, demonstrando garra e superação. Destaque para os quintos lugares de Cristian Ribera, que finalizou com o tempo de 53min40s8 na categoria masculina sentada, e da paranaense Aline Rocha, que cravou 1h01min30s2 na prova feminina, também para competidoras sentadas.
Em suas próprias palavras, Ribera refletiu sobre a prova mais longa: "Não é minha especialidade. Eu esperava um bom resultado, mas sabia que seria uma luta. Nas primeiras parciais, estava em segundo ou terceiro. Talvez, se eu segurasse um pouco, desse para recuperar no fim. Nessas provas longas, a gente vê que a competição é muito forte. Cheguei mais de um minuto atrás dos mesmos atletas que venci no sprint", ressaltando a intensidade do esqui de longa distância.
Outros atletas também se destacaram nesta modalidade. No masculino, o paulista Guilherme Rocha concluiu em 19º lugar, com 58min49s4, e o paraibano Robelson Lula, em 22º, com 1h01min07s3. Entre as mulheres, a paulista Elena Sena garantiu a 14ª posição, marcando 1h19min04s9. Na classe standing masculina, o paulista Wellington da Silva obteve a 25ª colocação, com 52min54s.
Além desses resultados, a equipe brasileira acumulou outras marcas importantes. Aline Rocha alcançou um expressivo sétimo lugar no biatlo paralímpico, uma prova que combina esqui cross-country e tiro esportivo. O trio formado por Aline, Cristian Ribera e Wellington da Silva também garantiu um honroso sétimo lugar no revezamento do esqui cross-country, evidenciando o potencial coletivo da equipe.
Pioneirismo no Snowboard e a Cerimônia de Encerramento
A história também foi escrita no snowboard, com a gaúcha Vitória Machado tornando-se a primeira mulher brasileira a competir na modalidade em uma Paralimpíada de Inverno. Ela, ao lado do também gaúcho André Barbieri, representou o Brasil na cerimônia de encerramento, realizada em Cortina d'Ampezzo, cidade palco das provas de snowboard.
André Barbieri, que superou um acidente durante um treino pré-evento para participar dos Jogos, teve a honra de ser o porta-bandeira do Brasil na festividade que marcou o fim da competição, simbolizando a resiliência e o espírito esportivo.
O Legado e o Futuro dos Esportes de Inverno Paralímpicos no Brasil
Para José Antônio Freire, presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), a performance em Milão-Cortina 2026 – conforme designação do evento – representa uma virada de página para o esporte no país. "Com resultados consistentes, presença em finais e um pódio histórico no cross-country, a participação brasileira […] consolida um novo momento dos esportes de inverno paralímpicos do país e reforça a evolução técnica da equipe nacional nas provas disputadas na neve", afirmou o dirigente, destacando a importância dessas conquistas para o desenvolvimento futuro.
O sucesso alcançado serve como inspiração e impulso para as próximas edições dos Jogos Paralímpicos. Os atletas brasileiros já projetam o futuro, com a próxima Paralimpíada de Inverno agendada para os Alpes Franceses, entre 1º e 10 de março de 2030, precedendo os Jogos de Verão de 2028, em Los Angeles (Estados Unidos). A performance em solo italiano estabelece um novo patamar de expectativa e ambição para a equipe brasileira.