Mulheres de São Paulo Marcham por Fim da Violência e Melhorias nas Condições de Trabalho em 8 de Março

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Milhares de mulheres ocuparam as ruas de São Paulo neste domingo (8) para marcar o Dia Internacional da Mulher, em um ato vibrante que ecoou demandas por justiça social e equidade. Apesar da forte chuva que castigou a capital paulista, a mobilização demonstrou a força e a resiliência das manifestantes, que caminharam da Avenida Paulista até a Praça Roosevelt, unindo vozes contra a violência de gênero e em defesa de melhores condições de trabalho. O evento na capital paulista foi um dos muitos realizados simultaneamente em diversas cidades brasileiras.

A Luta Incansável Contra a Violência de Gênero

O fim da violência contra as mulheres, especialmente o feminicídio, foi a pauta central que impulsionou a marcha. Faixas e cânticos, como “Ô abre alas, que as mulheres vão passar”, expressavam a urgência por mudanças. As manifestantes transformaram a avenida em um palco de denúncia, com intervenções simbólicas que davam visibilidade às vítimas. Sapatos femininos dispostos ao longo da via representavam as inúmeras mulheres assassinadas no país, um lembrete pungente da brutalidade do feminicídio. Em outra manifestação visual, bonecas foram instaladas em frente ao Fórum Pedro Lessa, simbolizando crianças que também sofrem com a misoginia e a impunidade, remetendo a casos judiciais controversos.

Alice Ferreira, co-fundadora e coordenadora do Levante Mulheres Vivas, enfatizou a necessidade de “combate efetivo do feminicídio e da violência contra a mulher como um todo”. Ela criticou a insuficiência de meras “palavras, notas de apoio”, exigindo “orçamento público e medidas efetivas” em todas as esferas de poder: executivo, judiciário e legislativo, onde, segundo ela, não se viu avanço. O movimento também advoga pela aprovação de um projeto de lei que criminalize a misoginia, definida como conduta de ódio contra as mulheres. Ferreira alertou para a disparidade online, onde o “discurso feminista é boicotado pelas big techs”, enquanto movimentos misóginos ganham impulso. A criminalização, segundo ela, seria um passo fundamental para “reverter essa lógica” e combater a desinformação. A gravidade da situação foi sublinhada pelos dados alarmantes do estado de São Paulo, que registrou 270 feminicídios em 2025 – um aumento de 96,4% em relação a 2021 e um número recorde desde o início da série histórica em 2018.

Por Mais Tempo e Dignidade: O Fim da Escala 6×1

Além da luta contra a violência, as mulheres levantaram a bandeira do fim da escala de trabalho 6×1 e da redução da jornada, pautas cruciais para a melhoria da qualidade de vida feminina. Luana Bife, da direção da Central Única dos Trabalhadores (CUT) de São Paulo, explicou que a demanda vai além do descanso físico, alcançando a autonomia e a autodeterminação das mulheres, que frequentemente enfrentam uma “escala 7 por 0” devido à dupla jornada de trabalho e responsabilidades familiares. “Hoje, para a mulher trabalhadora, o fim da escala 6×1 resulta não só em um período de descanso e autocuidado, mas também para ela decidir como quer estar no mundo”, afirmou Bife.

A militante ressaltou a importância de políticas públicas contínuas e robustas, “que independem dos governos”, para combater a violência e garantir direitos, defendendo que a pauta de defesa da vida das mulheres deve ser permanente. O ato também se posicionou contra a violência política e o extremismo que buscam cercear a liberdade e a voz das mulheres, defendendo a soberania e a autodeterminação dos povos como parte integrante da defesa da vida feminina.

Mobilização Unificada por Direitos

O Dia Internacional da Mulher foi marcado por uma série de protestos simultâneos em diversas cidades brasileiras, demonstrando uma coordenação e força coletiva impressionantes. Em São Paulo, o evento, intitulado “Em Defesa da Vida das Mulheres”, contou com a participação massiva de uma vasta gama de movimentos sociais e sindicais, ampliando o alcance das reivindicações para além das pautas específicas de gênero.

Entre as organizações presentes, destacam-se a União Nacional por Moradia Popular, o Movimento de Mulheres Camponesas, a União Nacional dos Estudantes (UNE), a Marcha Mundial das Mulheres, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), entre outros. Essa coalizão reforça a intersecção das pautas de gênero com questões de moradia, terra, educação e trabalho, sublinhando que a luta por direitos das mulheres é intrinsecamente ligada à justiça social ampla e à defesa da democracia.

Apesar da intempérie climática, o ato na Avenida Paulista reverberou a determinação de milhares de mulheres em transformar a realidade de violência e desigualdade. As demandas por medidas efetivas contra o feminicídio, a criminalização da misoginia e a dignidade no trabalho, exemplificada pela luta contra a escala 6×1, consolidam um movimento por uma sociedade mais justa e equitativa. A união de diferentes setores da sociedade neste 8 de Março reforça a mensagem de que a mobilização popular é essencial para impulsionar as mudanças necessárias e garantir que a vida e os direitos das mulheres sejam plena e permanentemente respeitados.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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