Guilherme Martin Nunes, um criador de conteúdo com uma paixão inabalável pelo futebol, embarcará em uma das mais ambiciosas viagens rumo à Copa do Mundo de 2026. Partindo de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, ele cruzará o continente a bordo de seu Fusca azul de 1971, em uma jornada que o levará por cerca de 14 mil quilômetros até Nova Iorque, nos Estados Unidos, para torcer pela Seleção Brasileira. A aventura, que se inicia em 16 de fevereiro, não é apenas um deslocamento, mas a materialização de um sonho em quatro rodas.
A Odisseia Mecânica Rumo ao Coração da América
A rota meticulosamente planejada para o Fusca 1971 prevê uma travessia que se estenderá por aproximadamente três meses, com chegada estimada entre o final de abril e o início de maio. Para cobrir os 14 mil quilômetros até a primeira cidade norte-americana, a estimativa é que o clássico veículo consuma cerca de 1.400 litros de gasolina, considerando uma média de 10 km/l em estrada. Isso equivale a mais de 34 tanques cheios, uma logística de abastecimento considerável para um desafio tão grandioso. A meta inicial é Nova Iorque para a estreia do Brasil em 13 de junho, seguindo depois para Filadélfia e Miami para os jogos seguintes.
Do Estádio à Estrada: A Paixão que Virou Profissão
A ideia de uma jornada transcontinental surgiu no ano passado, impulsionada por anos de dedicação ao Grêmio. Guilherme, que já havia percorrido grande parte da América acompanhando os jogos do Tricolor – seja no Campeonato Estadual, Brasileirão ou Libertadores – percebeu que sua paixão pelas viagens e pelo futebol poderia ir além. "Será que dá para ir de fusca até lá?", questionou-se o influencer, cujo carro ostenta o escudo do Grêmio. Ele transformou essa paixão em sua profissão, e sua página no Instagram, "Até de Fusc nós iremos", é um parafraseado criativo do hino do Grêmio, simbolizando seu compromisso em levar o espírito tricolor por onde quer que vá.
Navegando Desafios: Preparação e Orçamento de Uma Aventura Única
A imensidão do trajeto impõe desafios logísticos e financeiros significativos. Guilherme projeta um gasto total próximo dos R$ 100 mil. A parte mais onerosa da viagem, estimada em cerca de R$ 30 mil (equivalente a 5 mil dólares), será a travessia do veículo em um contêiner entre a Colômbia e o Panamá, considerando ida e volta. Além do combustível e alimentação, há a necessidade de hospedagens em locais onde não será possível dormir no carro ou em barraca. Curiosamente, os ingressos para os jogos da Copa do Mundo ainda não foram adquiridos, uma decisão que ressalta a prioridade na execução da viagem em si.
Toda a documentação, incluindo vistos pessoais e exigências para o Fusca em territórios estrangeiros, foi cuidadosamente organizada. O veículo foi preparado com kits de ferramentas, peças de reposição, material para conserto de pneus, e adaptado com itens como churrasqueira, fogão, geladeira automotiva e uma cama improvisada, garantindo autonomia e conforto mínimo em meio às intempéries, incluindo travessias por desertos quentes e trechos de neve rigorosa. Uma ressalva importante é que, se o Brasil jogar em cidades mais distantes, como no México, Canadá ou na costa oeste dos EUA, o Fusca será estacionado e Guilherme optará por viagens aéreas, mas o retorno ao Brasil será, impreterivelmente, por terra.
Um Histórico de Rodas e Superação na América Latina
A atual jornada para os EUA é o ápice de um longo histórico de viagens de Guilherme com seus Fuscas. Desde 2021, ele explorou diversas regiões do Brasil, do Rio Grande do Sul ao Rio de Janeiro, em um Fusca 1500 ano 1974, que se tornou seu fiel companheiro em muitas partidas do Grêmio. O ano de 2024 marcou uma série de expedições memoráveis pela Copa Libertadores, como a viagem de oito dias até La Paz, na Bolívia, enfrentando mais de 4.100 metros de altitude, perda de força do motor e um pneu furado no deserto de sal.
Ele também atravessou a Cordilheira dos Andes sob temperaturas de -9 graus, com neve, uma experiência que descreve como "muito incrível". Em uma de suas aventuras, na Argentina e Uruguai, seu veículo foi apreendido, o que o levou a adquirir o Fusca azul 1971 que agora o levará à Copa. Além dos países citados, ele já passou por Paraguai e Peru, transformando seu Fusca em um verdadeiro embaixador da torcida gremista. O carro, aliás, virou um "xodó" por onde passa, atraindo curiosos e torcedores que buscam uma foto e uma conversa, consolidando sua identidade como uma referência itinerante da paixão pelo futebol.
A saga de Guilherme Martin Nunes e seu Fusca azul de 1971 transcende a simples viagem. É um testemunho da paixão ilimitada pelo futebol, da resiliência frente aos desafios da estrada e da capacidade de transformar um sonho audacioso em realidade. Cada quilômetro percorrido não é apenas uma aproximação física dos estádios da Copa, mas um avanço na construção de uma história inspiradora que ecoa o espírito de aventura e o amor pelo esporte, unindo culturas e fronteiras sob a bandeira da torcida brasileira.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br