Sistema Cantareira: Chuvas Elevam Volume, Mas Operação na Faixa de Atenção Persiste em Novembro

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O Sistema Cantareira, vital para o abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo, registrou uma recuperação significativa em seu volume útil. Na manhã do último sábado (31), o principal complexo hídrico alcançou 51,2% de sua capacidade total, o maior patamar observado desde maio de 2015. Esse incremento substancial é um reflexo direto das chuvas abundantes que incidiram sobre a região nos últimos meses, trazendo um alívio ao cenário de armazenamento.

Apesar da melhora expressiva, as agências reguladoras – Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas) – anunciaram que o reservatório continuará operando na 'faixa de atenção' durante todo o mês de novembro. A medida sublinha a abordagem cautelosa e a gestão preventiva dos recursos hídricos, mesmo diante de um contexto hídrico mais favorável.

Recuperação Hídrica e as Implicações da Faixa de Atenção

A elevação do nível do Cantareira, que vinha apresentando volumes preocupantes no início do ano, é atribuída principalmente às chuvas recordes de setembro, complementadas pelas precipitações de outubro. O volume aferido em 31 de outubro, de 51,2%, posiciona o sistema dentro da 'faixa de atenção', que, conforme os parâmetros estabelecidos, compreende níveis entre 40% e 60% da capacidade total.

Para a Sabesp, a companhia responsável pela gestão e operação do sistema, a manutenção nesta faixa impõe restrições específicas na retirada de água. Enquanto em condições de normalidade a captação pode atingir 33 metros cúbicos por segundo (m³/s), a operação na faixa de atenção limita a extração a um máximo de 31 m³/s. Essa diferença, embora pareça pequena, é crucial para a preservação do volume e a garantia da sustentabilidade do abastecimento a médio e longo prazo.

O Arcabouço Regulatório e a Gestão Adaptativa

A definição das faixas operacionais e o acompanhamento rigoroso dos níveis do Sistema Cantareira são frutos da Resolução Conjunta nº 925/2017, elaborada pela ANA e SP Águas. Essa regulamentação foi uma resposta direta à grave crise hídrica que afetou o estado paulista nos anos de 2014 e 2015, estabelecendo critérios claros para a captação de água com base no volume de armazenamento observado no último dia de cada mês.

A resolução organiza a operação em cinco distintas faixas: 'normal' (para níveis iguais ou superiores a 60%), 'atenção' (entre 40% e 60%), 'alerta' (entre 30% e 40%), 'restrição' (entre 20% e 30%) e 'especial' (para volumes abaixo de 20%). Cada uma dessas categorias orienta os limites máximos de retirada de água, permitindo uma gestão hídrica dinâmica e adaptada às condições do manancial. O monitoramento diário por parte das agências é essencial para a tomada de decisões rápidas e eficazes, assegurando a segurança hídrica da população.

A Complexidade e Vitalidade do Sistema Cantareira

O Sistema Cantareira é um complexo engenhoso, composto por cinco grandes reservatórios interligados: Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro. Juntos, eles somam um volume útil total de 981,56 bilhões de litros. Desde 2018, a capacidade e a eficiência do sistema foram aprimoradas pela interligação entre a represa Jaguari e a represa Atibainha, esta última parte da bacia do rio Paraíba do Sul, o que reforça sua resiliência.

Sua importância transcende o abastecimento da capital. Além de prover água para aproximadamente metade da população da Região Metropolitana de São Paulo, o Cantareira contribui para os usos múltiplos da água, como o abastecimento de cidades estratégicas como Campinas, localizadas nas bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ). Apesar de seus reservatórios estarem integralmente em território paulista, uma parcela significativa das águas que os alimentam tem origem em rios de domínio da União, com nascentes e trechos que se estendem por Minas Gerais, evidenciando a interdependência regional e a necessidade de uma gestão integrada para o recurso hídrico.

A manutenção do Sistema Cantareira na faixa de atenção, mesmo com a notável recuperação de seu volume, reflete um compromisso contínuo com a segurança hídrica. É um balanço entre a resposta positiva das chuvas e a prudência necessária para garantir o abastecimento de milhões de pessoas, reforçando a importância da gestão adaptativa e do planejamento a longo prazo para um recurso tão essencial.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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