A edição de 2024 da Conmebol Libertadores Feminina apresenta um obstáculo adicional para as equipes brasileiras: a altitude. Localizada a 2.850 metros acima do nível do mar, Quito, a capital equatoriana, testou a resistência do Cruzeiro em sua primeira partida. No Estádio Casa Blanca, as Cabulosas enfrentaram a LDU e, em um confronto marcado por superação física e tática, garantiram uma vitória apertada por 2 a 1, largando na frente no Grupo C da competição continental.
O Impacto da Altitude e a Resiliência em Campo
O início do jogo demonstrou a superioridade técnica do Cruzeiro, que rapidamente abriu o placar. Aos nove minutos, Byanca Brasil cobrou uma falta com precisão, forçando a defesa da goleira Liceth Suárez, que desviou a bola para o travessão. No rebote oportuno, a lateral Gisseli demonstrou faro de gol e empurrou para as redes, colocando as mineiras em vantagem. Contudo, a intensidade inicial cobrou seu preço, e o efeito da rarefação do ar começou a se manifestar visivelmente, alterando o ritmo da partida.
Com o avanço do primeiro tempo, a LDU, mais adaptada às condições, assumiu o controle do jogo. A goleira Camila Rodrigues foi exigida em pelo menos duas intervenções cruciais antes que as anfitriãs empatassem aos 34 minutos. Após um chute de Maylin Arreaga que explodiu no travessão, Justine Cuadra aproveitou a sobra na área para finalizar no canto, deixando tudo igual. Momentos de apreensão vieram logo em seguida, quando um gol de cabeça de Milagro Barahona para a LDU foi anulado pelo VAR, que identificou a saída da bola pela linha lateral antes do cruzamento, mantendo o placar de 1 a 1.
Na etapa final, o cenário de desgaste persistiu para o time celeste. Diante do ritmo acelerado das equatorianas, a estratégia do Cruzeiro mudou para diminuir a velocidade do jogo e buscar contra-ataques precisos, explorando a rapidez de Vanessinha e a habilidade de Byanca Brasil. A tática funcionou aos 18 minutos do segundo tempo, quando Marília acionou Byanca Brasil pela esquerda. A camisa 10 disparou em direção à área e finalizou na saída de Suárez, marcando o gol que recolocou o Cruzeiro na liderança e assegurou a vitória na estreia.
Panorama do Grupo C e Desafios Futuros
Com a vitória suada, o Cruzeiro assumiu a liderança isolada do Grupo C. Mais cedo, no mesmo estádio, Bolívar, da Bolívia, e Olimpia, do Paraguai, empataram em 2 a 2, somando um ponto cada. A LDU, por sua vez, inicia a competição sem pontos, na última posição da chave. A jornada das Cabulosas, contudo, reserva um teste ainda mais severo em relação à altitude.
O próximo compromisso do Cruzeiro será contra o Bolívar, equipe boliviana, na segunda-feira (19). O duelo, agendado para as 17h (horário de Brasília), novamente no Estádio Casa Blanca, representará um novo desafio, visto que o Bolívar está acostumado a jogar em La Paz, capital que se encontra a 3.650 metros acima do nível do mar, uma altitude significativamente maior que a de Quito. A capacidade de recuperação e adaptação será crucial para manter o bom início na competição.
A Luta Brasileira Contra a Altitude: Outros Confrontos
O Cruzeiro não é o único representante brasileiro a enfrentar equipes acostumadas à altitude equatoriana. O Palmeiras também terá seu teste particular na fase de grupos. As Palestrinas enfrentarão o Dragonas, time feminino do Independiente del Valle, na terceira e última rodada do Grupo B. Este confronto ocorrerá na próxima quarta-feira (21), às 21h, no Estádio Banco Guayaquil, colocando mais uma equipe brasileira diante de um adversário com vantagem de adaptação.
No entanto, o Palmeiras pode abordar este jogo com uma situação mais confortável. As atuais campeãs da Libertadores têm a chance de garantir sua classificação antecipada para as quartas de final caso vençam o Belgrano, da Argentina, neste domingo (18), às 17h, no mesmo estádio. Uma vitória permitiria ao Verdão gerenciar o elenco e, possivelmente, poupar atletas para o embate final contra o Dragonas, minimizando os efeitos do desgaste em uma fase tão exigente do torneio.
A performance do Cruzeiro na estreia, superando as adversidades impostas pela altitude e por um adversário aguerrido, serve como um importante indicativo da resiliência e da preparação das equipes brasileiras para a Libertadores Feminina. A capacidade de adaptação será, sem dúvida, um fator determinante na busca pelo título continental.