Inclusão e Descoberta: Como a Feira do Livro de Ribeirão Preto Transforma Experiências para Pessoas com Deficiência

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A 25ª edição da Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto (SP) solidificou seu compromisso com a acessibilidade, transformando-se em um espaço vibrante de descobertas e inclusão para todos os públicos. Longe de ser apenas um evento literário, a feira proporcionou uma imersão cultural onde a diversidade sensorial e linguística foi celebrada, permitindo que visitantes como Anderson Maximiano da Silva, um estudante cego, e Ingrid Loyo, uma consultora surda, vivenciassem plenamente a riqueza do universo dos livros.

Desvendando Mundos pelo Toque: A Jornada de Anderson no Braille

Anderson Maximiano da Silva, de 19 anos e natural de Santa Rosa de Viterbo, está em uma fase crucial de sua alfabetização em Braille. Nascido cego, o jovem, aluno do terceiro ano do ensino médio na Escola Estadual Conde Francisco Matarazzo, encontra nos livros adaptados ferramentas essenciais para seu aprendizado. Sua recente visita à feira resultou na aquisição de exemplares sobre carros e dinossauros, enriquecendo sua prateleira pessoal com novas possibilidades táteis.

O processo de aprendizagem de Anderson é cuidadosamente acompanhado pelo professor de apoio Otton Omar Balthazar, que dedica cerca de seis horas diárias ao lado do estudante, revisando conteúdos escolares e adaptando materiais. Embora Anderson já domine a escrita em Braille, ele ainda enfrenta desafios com a identificação dos pontos menores. Para contornar essa dificuldade e aprimorar a sensibilidade de suas mãos, Otton incorpora materiais pedagógicos com peças maiores e estimula o tato com leituras sensoriais, como o livro explorador de texturas que presenteou a Anderson na feira.

Libras como Ponte para o Conhecimento: A Experiência de Ingrid

Para Ingrid Loyo, consultora de acessibilidade de 24 anos e membro da comunidade surda, a Feira do Livro de Ribeirão Preto deste ano representou um avanço significativo em termos de acolhimento e comunicação. Em sua segunda visita ao evento, Ingrid destacou o papel fundamental da presença de intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Libras), que proporcionaram segurança e confiança em sua interação e compreensão das atividades.

A relação de Ingrid com a leitura é mediada pela tradução, uma vez que, para muitos na comunidade surda, o português é uma segunda língua, tendo Libras como a primeira. Atuando na biblioteca do Senac e apreciadora de livros, ela ressalta a importância dos intérpretes não apenas na conversão literal, mas na transmissão do sentido e das nuances de um texto, seja uma poesia ou uma metáfora, garantindo um acesso genuíno ao conteúdo literário e cultural.

Navegando Espaços: Autonomia e Design Inclusivo

A acessibilidade na Feira do Livro de Ribeirão Preto estendeu-se para além do conteúdo, abordando também a mobilidade e autonomia dos visitantes. Anderson, por exemplo, é incentivado em sua escola a reconhecer e se deslocar por si mesmo, construindo sua independência. Na feira, ele recebeu suporte atencioso da equipe na Biblioteca Sinhá Junqueira, onde lhe foram apresentadas as opções de percurso e oferecido o uso do elevador, sem, contudo, cercear sua capacidade de fazer escolhas.

Essa abordagem reflete uma visão mais ampla, onde o auxílio deve coexistir com o estímulo à independência. A vice-presidente da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, Priscilla Altran, confirmou que as condições de deslocamento e outras facilidades são discutidas desde a fase de elaboração do projeto do evento, garantindo que a estrutura física contribua para uma experiência inclusiva, e não apenas as atividades programáticas.

Uma Feira Para Todos: A Filosofia da Acessibilidade Plena

A essência da Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto reside em sua filosofia de inclusão universal, que busca integrar pessoas com deficiência em toda a programação, e não apenas em segmentos específicos. A diretriz é abrir espaços e convidar ativamente a participação, sem criar guetos de atividades exclusivas. A 25ª edição exemplificou esse compromisso ao oferecer uma vasta gama de palestras, oficinas e bate-papos, muitos com interpretação em Libras.

Além da comunicação visual, a feira investiu em propostas multissensoriais, explorando o tato, a audição e o olfato, juntamente com infraestruturas pensadas para a circulação e o acolhimento de todos os públicos. Este foco em uma acessibilidade abrangente, que se manifesta tanto na programação quanto na infraestrutura, reforça o papel da feira como um modelo de evento cultural que promove a equidade no acesso ao conhecimento e à cultura.

As histórias de Anderson e Ingrid são testemunhos poderosos do impacto da acessibilidade e da inclusão em eventos culturais. A Feira do Livro de Ribeirão Preto, ao integrar Braille, Libras e um design universal em suas práticas, demonstra que é possível construir um espaço onde a literatura e a cultura são verdadeiramente acessíveis a todos, enriquecendo a experiência de cada visitante e reafirmando o valor da diversidade no coração da comunidade.

Fonte: https://g1.globo.com

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