Um grande incêndio atingiu uma madeireira e outros três estabelecimentos comerciais na Estrada da Rhodia, em Campinas (SP), no último sábado (15), resultando na interdição e recomendação de demolição ou reconstrução dos imóveis pela Defesa Civil. A tragédia revela uma série de irregularidades, uma vez que nenhum dos comércios operava com o alvará de funcionamento exigido pela prefeitura.
Ação da Defesa Civil e o Destino dos Imóveis
Após minuciosa vistoria, acompanhada pela Secretaria Municipal de Urbanismo, a Defesa Civil de Campinas formalizou a interdição da madeireira e dos três comércios adjacentes, classificando a estrutura como comprometida. O órgão técnico recomendou categoricamente a demolição completa ou a reconstrução das edificações sinistradas, delegando ao proprietário a responsabilidade de contratar um engenheiro particular para avaliar as opções e tomar a decisão final sobre o futuro do local.
Irregularidades na Operação dos Estabelecimentos
A investigação subsequente ao sinistro trouxe à tona uma preocupante situação: a madeireira, epicentro do incêndio, não possuía o alvará de funcionamento da Prefeitura de Campinas. Mais grave ainda, a Secretaria de Urbanismo confirmou que os outros três comércios – uma adega, uma marmoraria e uma pizzaria –, além de um quarto imóvel que parecia inativo, também operavam na ilegalidade, sem as devidas licenças municipais. Essa descoberta intensifica o debate sobre a fiscalização de negócios na região.
O Desafio do Combate às Chamas
O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 10h31 de sábado, mobilizando 24 bombeiros e 10 viaturas em uma intensa operação que se estendeu por cerca de seis horas. A complexidade do incêndio, alimentado por uma vasta quantidade de madeira em um terreno de aproximadamente 2 mil metros quadrados, exigiu táticas específicas. A Estrada da Rhodia foi interditada para garantir a segurança da operação, sendo liberada para o tráfego apenas na manhã de domingo. Para alcançar os focos mais profundos e resfriar o material combustível, foi necessário remover e remexer a madeira queimada. Uma escavadeira da Prefeitura foi empregada para derrubar uma parede e facilitar o acesso ao estoque, enquanto os bombeiros precisaram cortar uma porta para penetrar em outras áreas. O Tenente Jonathan Tavares Silva, do Corpo de Bombeiros, explicou a dificuldade: "A gente remove o material que já foi queimado da superfície e tenta atingir o material, resfriar o material que está um pouco mais abaixo da superfície", destacou.
Prevenção de Propagação e Impacto no Entorno
A Polícia Militar informou que a ação do vento foi um fator crucial para a rápida propagação das chamas, que atingiram não apenas a madeireira, mas também os três estabelecimentos comerciais vizinhos. Ciente da proximidade de um condomínio residencial, as equipes de combate a incêndio e a PM atuaram incessantemente para evitar que o fogo se alastrasse para a área habitada. Como medida preventiva imediata, a Polícia Militar providenciou o desligamento da energia elétrica dos comércios logo ao chegar ao local, minimizando riscos adicionais e protegendo os residentes próximos.
A destruição dos imóveis na Estrada da Rhodia não apenas representa um prejuízo material significativo para os proprietários, mas também levanta sérias questões sobre a fiscalização e a segurança de estabelecimentos comerciais na cidade. A necessidade de demolição ou reconstrução, aliada à ausência de alvarás para todos os negócios, sublinha a urgência de uma revisão das práticas de licenciamento e supervisão para evitar que incidentes como este se repitam, colocando em risco vidas e patrimônios.
Fonte: https://g1.globo.com