3º Prêmio Jabuti Acadêmico Celebra Excelência Editorial e Científica no Brasil

PUBLICIDADE

A capital paulista foi palco, na noite da última terça-feira (11), de uma importante celebração do conhecimento e da produção intelectual brasileira. No Teatro Sérgio Cardoso, a Câmara Brasileira do Livro (CBL) realizou a cerimônia de premiação da 3ª edição do Prêmio Jabuti Acadêmico, laureando autores e editoras que se destacam no vasto universo das obras científicas, técnicas e acadêmicas do país. O evento consolidou-se como um reconhecimento vital para a visibilidade e o incentivo à pesquisa e ao pensamento crítico nacional.

A Premiação do Conhecimento Brasileiro

Em sua terceira edição, o Prêmio Jabuti Acadêmico, estabelecido em 2022 com o propósito de ampliar o reconhecimento de obras que impulsionam o debate e a inovação no ambiente universitário e profissional, apresentou uma estrutura abrangente. A premiação de 2024 foi organizada em 27 categorias, distribuídas em dois eixos principais: Ciência e Cultura, e Prêmios Especiais. Os trabalhos contemplados refletiram uma rica diversidade temática, abordando desde desafios globais contemporâneos, como a crise climática e a desigualdade social, até questões históricas marcantes, como a ditadura militar, e a valorização de saberes tradicionais indígenas e africanos.

A qualidade e a profundidade dos textos premiados foram enfatizadas pela presidente da CBL, Sevani Matos. “É motivo de muita comemoração reconhecer obras de alta qualidade que evidenciam a força da pesquisa e da produção editorial acadêmica no Brasil. Os trabalhos refletem a diversidade de temas, perspectivas e contribuições que enriquecem o debate acadêmico e ampliam a produção de conhecimento”, afirmou Matos, sublinhando o papel do prêmio na promoção de uma cultura de excelência.

Destaques entre os Vencedores

Os autores cujas obras foram selecionadas como as melhores em suas respectivas categorias foram agraciados com a cobiçada estatueta do Jabuti Acadêmico, acompanhada de um prêmio em dinheiro no valor de R$ 5 mil. As editoras responsáveis pela publicação dessas obras também receberam a distinção da estatueta. Entre os notáveis vencedores, destacam-se títulos que ressoam com a complexidade do cenário social e ambiental atual.

Na categoria de Antropologia, Sociologia, Demografia, Ciência Política e Relações Internacionais, a obra “O jeito Yanomami de pendurar redes”, de Thiago Benucci (Editora Perspectiva), foi aclamada. Já em Economia, o reconhecimento foi para “A loteria do nascimento: filha do porteiro termina universidade, mas não alcança filho do rico”, de Fillipi Nascimento e Michael França (Editora Jandaíra), que aborda a persistência da desigualdade social. Em Ciências Agrárias e Ciências Ambientais, a pesquisa sobre sustentabilidade foi agraciada com “Saúde do solo em ecossistemas tropicais: a base para mitigação e adaptação às mudanças climáticas”, de Carlos Eduardo Pellegrino Cerri, Carlos Roberto Pinheiro Junior, Lucas Pecci Canisares e Maurício Roberto Cherubin (Editora Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz).

Outras premiações relevantes incluíram “Brasil africano: orixás, sacerdotes, seguidores”, de Reginaldo Prandi (Editora Pallas), vencedor em Ciências da Religião e Teologia, e “Crime sem castigo: como os militares mataram Rubens Paiva”, de Juliana Dal Piva (Editora Matrix), que conquistou o primeiro lugar na categoria Comunicação e Informação, lançando luz sobre um período sombrio da história brasileira.

José Goldemberg: Personalidade Acadêmica Homenageada

Um dos pontos altos da noite foi a homenagem a José Goldemberg, figura proeminente da ciência e da educação brasileira, que recebeu o título de Personalidade Acadêmica da 3ª edição do prêmio. A CBL reconheceu sua notável trajetória científica, liderança acadêmica e inestimáveis contribuições para o avanço da ciência, a formulação de políticas públicas eficazes e a promoção da sustentabilidade no país e no mundo.

Trajetória de um Cientista e Liderança

Em seu discurso, Goldemberg relembrou sua formação em instituições públicas e laicas, desde a escola primária em Porto Alegre até a Universidade de São Paulo (USP) em 1945, moldando sua vocação para a ciência. Inicialmente dedicado à pesquisa em física nuclear na USP e em universidades estrangeiras, como Stafford e Paris, suas investigações tiveram ampla repercussão. Após duas décadas de pesquisa pura, Goldemberg ampliou sua atuação, engajando-se ativamente na Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) durante o período autoritário, defendendo a ciência e os cientistas. Sua atenção então se voltou para estudos sobre energia, meio ambiente e mudanças climáticas.

Legado para a Sustentabilidade Global

Como reitor da USP entre 1986 e 1990, Goldemberg empenhou-se na recuperação do nível acadêmico e científico da instituição, abalado pelo regime autoritário. Sua pesquisa em fontes de energia renováveis e biocombustíveis o levou à Universidade de Princeton, onde, em colaboração com colegas internacionais, publicou em 1988 o livro “Energy for a Sustainable World”. A obra se tornou uma referência global, impulsionando a transição energética em todo o mundo. Em um gesto de profunda humildade e reconhecimento, José Goldemberg dedicou sua homenagem “a cada colega, aluno e instituição que ousa acreditar que o futuro do Brasil se constrói com educação pública, ciência e coragem”, reafirmando o compromisso com os pilares fundamentais para o desenvolvimento do país.

O 3º Prêmio Jabuti Acadêmico não apenas celebrou a excelência literária e científica, mas também reforçou a importância de valorizar e incentivar a produção de conhecimento que ilumina, questiona e propõe soluções para os grandes desafios do nosso tempo, consolidando o papel da CBL como guardiã e promotora da cultura do livro e do saber no Brasil.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

Mais recentes

PUBLICIDADE