Campinas registrou seu primeiro caso de raiva em gatos desde 2016, um evento que mobilizou imediatamente as autoridades de saúde pública do município. A confirmação da doença em um felino encontrado no Cemitério da Saudade, na Vila Paraíso, desencadeou uma série de ações coordenadas pela Prefeitura, visando a contenção do vírus e a proteção da comunidade. A resposta se concentrou em uma vacinação de bloqueio intensiva, porta a porta, no entorno da área afetada, e uma vigilância aprimorada, alinhada às diretrizes nacionais para o controle da raiva em cenários epidemiológicos específicos.
Mobilização e Ação Rápida de Bloqueio
Após a identificação do caso positivo, a Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ) de Campinas implementou um plano de contenção. Entre sexta-feira, 31 de maio, e segunda-feira, 3 de junho, equipes de saúde realizaram um mapeamento detalhado, identificando cerca de 180 animais domésticos em um raio de 300 metros do cemitério. Este trabalho prévio foi crucial para determinar a população de cães e gatos na vizinhança e avaliar o status vacinal dos pets. No dia 4 de junho, a operação de vacinação de bloqueio foi executada, com agentes visitando residências para imunizar cães e gatos, além de orientar os moradores sobre a prevenção da raiva e investigar possíveis contatos com o animal infectado. Para aqueles que não estavam presentes em suas casas, um aviso foi deixado, indicando um novo dia de vacinação agendado para o sábado seguinte, 8 de junho. Paralelamente, a equipe da UVZ, com apoio de protetores de animais, também imunizou os gatos que vivem tanto dentro quanto nas áreas externas do cemitério.
A Raiva em Campinas: A Variante do Morcego e a Estratégia de Vacinação
Apesar da confirmação do caso, a Prefeitura de Campinas descartou a realização de uma campanha de vacinação em massa, como o tradicional 'Dia D'. Essa decisão está em consonância com as diretrizes do Ministério da Saúde e do Instituto Pasteur, que adaptaram as estratégias de profilaxia da raiva no Brasil. O médico veterinário Bruno Emerson Bernardes da Silva, da UVZ, explicou que a gata infectada contraiu a variante do vírus transmitida por morcegos, que provoca a raiva paralítica. Diferente da raiva furiosa, associada à variante canina – ausente no estado de São Paulo há mais de duas décadas, com o último caso humano em 1997 e em cães e gatos em 1998 –, a forma paralítica se manifesta com sintomas como prostração e sinais neurológicos, o que reduz significativamente o risco de ataques agressivos e, consequentemente, a transmissão. Diante desse cenário epidemiológico, São Paulo suspendeu as campanhas anuais de vacinação contra a raiva a partir de 2022, mantendo a imunização de rotina, a vacinação de animais que tiveram contato com morcegos e, fundamentalmente, as ações de bloqueio de foco como a realizada em Campinas.
Prevenção Contínua e Conscientização Comunitária
A Prefeitura de Campinas reforça que, além das ações de bloqueio, a vacina antirrábica gratuita permanece disponível durante todo o ano na sede da UVZ. Para garantir a imunização, os tutores devem agendar o atendimento de seus animais de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, pelo telefone (19) 2515-7044. A gestão municipal também planeja iniciativas educativas para o futuro próximo, incluindo ações para desencorajar o contato de visitantes com os gatos que residem no cemitério e palestras informativas para os funcionários do local, abordando os riscos da interação com animais silvestres e errantes. A importância da vigilância é sublinhada pelo fato de que, apenas em 2026, a administração municipal já identificou quatro morcegos positivos para o vírus da raiva em diferentes pontos da cidade, evidenciando a circulação do patógeno na fauna silvestre e a necessidade constante de prevenção e monitoramento.
O caso de raiva felina em Campinas, embora isolado, serve como um lembrete da importância da vacinação contínua de animais domésticos e da conscientização pública sobre os riscos da doença. A resposta rápida e direcionada das autoridades demonstra o compromisso com a saúde pública, adaptando as estratégias de controle da raiva às particularidades do cenário epidemiológico atual.
Fonte: https://g1.globo.com